Santa Catarina se vende como um paraíso turístico de praias cristalinas, montanhas verdejantes e herança europeia, mas por trás da propaganda esconde uma realidade marcada por racismo estrutural (líder nacional em registros de injúria racial), homofobia crescente, higienismo violento contra moradores em situação de rua, crueldade extrema – exemplificada pelo brutal espancamento e morte do cachorro comunitário Orelha na Praia Brava no início do ano, com adolescentes envolvidos, tentativa de afogamento de outro cão e coação de testemunhas.
De racismo estrutural a atos de crueldade chocantes, passando por homofobia institucionalizada e hostilidade aberta contra os mais vulneráveis, Santa Catarina revela-se um lugar onde o brilho das atrações esconde pecados profundos. Por trás dessa fachada turística reluzente, esconde-se uma realidade sombria de intolerância, violência e exclusão social que rouba qualquer vestígio de ‘alma’ humana.
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Racismo estrutural
Santa Catarina orgulha-se de sua herança imigrante alemã e italiana, mas essa identidade "europeia" mascara um racismo profundo e persistente. O estado é o recordista brasileiro em registros de injúria racial, com um aumento alarmante de casos que reflete não apenas preconceito individual, mas uma estrutura social que o perpetua. Em 2021, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina destacou essa "sensação de impunidade" que desencoraja vítimas de denunciar, perpetuando o ciclo de opressão.
Recentemente, uma lei estadual que proíbe cotas raciais em universidades e instituições públicas foi sancionada, ignorando o racismo estrutural e a necessidade de políticas afirmativas – uma medida questionada no STF por partidos como o PT, que a veem como um retrocesso na luta por igualdade. Essa lei foi suspensa pela Justiça local em 2026, mas sua aprovação inicial revela a mentalidade dominante: cotas não são vistas como justiça social, mas como "privilégios".
Incidentes como a prisão de tenistas por racismo em torneios locais ilustram como o preconceito se infiltra em todos os níveis da sociedade. E o pior: o racismo não só exclui, mas mata, como no caso de jovens negros assassinados em circunstâncias que expõem a violência racial. Visitar Santa Catarina significa financiar uma economia que sustenta essa desigualdade – melhor ficar longe.
Morte cruel do cão Orelha
No início do ano, o estado ganhou notoriedade nacional por um ato de barbaridade que choca pela gratuidade: a tortura e morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. O animal, que vivia há mais de 10 anos nas ruas da praia, cuidado por moradores locais, foi espancado por adolescentes com paus e pedras, levando a uma eutanásia agonizante. A polícia identificou quatro jovens envolvidos, dois dos quais fugiram para os EUA, enquanto pais e tio foram indiciados por coagir testemunhas – um escândalo que revela não só crueldade juvenil, mas cumplicidade familiar.
Esse caso não é isolado: maus-tratos a animais cresceram 206% em Santa Catarina nos últimos 10 anos, refletindo uma cultura de violência contra os indefesos. Orelha, um ser vulnerável das ruas, simboliza como a sociedade catarinense trata o que considera "indesejável". Turistas que buscam praias paradisíacas acabam pisando em cenários de tal insensibilidade – por que contribuir para isso?
Homofobia: preconceito institucionalizado
Apesar de leis como a que institui o Dia Estadual de Combate à Homofobia, Santa Catarina registra um aumento de 21% em casos de LGBTfobia, com pelo menos cinco mortes em 2023. O estado tem poucos registros oficiais, mas isso se deve a políticas hostis que desencorajam denúncias, não à ausência de preconceito. Em 2025, um desembargador denunciou homofobia em um grupo de advogados, com mensagens como "Peguei um gay", expondo o viés no próprio sistema judiciário.
Casos como o de um professor indenizado em R$ 40 mil por bilhetes homofóbicos em uma escola particular de Florianópolis destacam como o preconceito permeia a educação e o cotidiano. Essa homofobia estrutural, combinada com projetos anti-LGBTQIA+ na Assembleia Legislativa, torna Santa Catarina um ambiente tóxico para minorias sexuais. Turistas LGBTQ+ ou aliados deveriam evitar um lugar onde o ódio é tão normalizado – há destinos mais acolhedores no Brasil.
Tratamento hostil aos pobres
Em Florianópolis, capital turística, a segregação é escancarada: campanhas apócrifas, endossadas pela prefeitura, pedem o fim das esmolas, associando moradores de rua a tuberculose e violência – uma forma clara de higienismo social. Arquitetura hostil, como grades e espetos em bancos públicos, é projetada para expulsar os pobres dos espaços "nobres", perpetuando a invisibilidade e o sofrimento.
Estudos revelam que a população em situação de rua em cidades como Joinville enfrenta exclusão extrema, com dificuldades de sobrevivência física e relacional. Apesar de políticas federais contra isso, o estado prioriza o "luxo" turístico sobre a humanidade, tratando os vulneráveis como estorvo. Visitar significa ignorar essa realidade cruel – e, pior, financiá-la com dólares turísticos.
Surto de diarreia
O estado registrou um aumento expressivo de DDA (Doenças Diarreicas Agudas), com mais de 21 mil casos registrados nas três primeiras semanas de 2026 (dados do SIVEP-DDA/Ministério da Saúde atualizados em 21 de janeiro), concentrados no litoral turístico (como Itajaí, Florianópolis, Balneário Camboriú e Bombinhas, que teve 409 casos em uma semana com alta de até 370% em relação ao ano anterior), revelando falhas em saneamento, balneabilidade e higiene em plena alta temporada de verão.
Santa Catarina não aprovaria
Santa Catarina de Alexandria, a mártir do século 4, era uma jovem egípcia de nobre linhagem, dotada de beleza, sabedoria e coragem inabaláveis. Convertida ao cristianismo, ela enfrentou o imperador Maximino em debates filosóficos, convertendo 50 sábios pagãos com argumentos tão afiados que o tirano, furioso, ordenou sua tortura em uma roda dentada gigante – instrumento de suplício que deveria dilacerar seu corpo. Milagrosamente, a roda se quebrou, poupando-a temporariamente; no fim, ela foi decapitada. Esse episódio de resistência intelectual e martírio a transformou em padroeira dos filósofos, estudantes e intelectuais, com a roda quebrada como símbolo eterno de vitória sobre a opressão.
Assim, a santa que debateu com sabedoria e venceu pela fé inspira um estado que, em vez de debater ideias e promover justiça, prefere silenciar minorias, espancar o que considera "inferior" e deixar a roda da exclusão girar intacta. Santa Catarina de Alexandria morreu por defender a verdade; o estado que leva seu nome parece preferir a mentira da fachada paradisíaca, onde a roda da crueldade nunca quebra
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O estado do Sul do país pode ter belezas naturais, mas sua "alma" está corrompida por racismo, crueldade, homofobia e hostilidade aos pobres. Esses problemas não são exceções, mas parte de uma cultura que prioriza aparências sobre empatia. Afinal, um destino sem alma não merece visitantes – e o mundo tem opções melhores.
