A equipe da influenciadora brasileira Malévola Alves afirmou, na noite dessa terça-feira (20/10), que está em contato com a Embaixada do Brasil no Cairo e com autoridades competentes para acompanhar a prisão da criadora de conteúdo no Egito. Mariana Alves Gadelha Pereira, conhecida como Malévola, e a amiga Bruna Marcatelli foram detidas em Alexandria, sob acusação de comportamento obsceno e gestos de cunho sexual em público, segundo o Ministério do Interior egípcio.

Em comunicado, a assessoria da influenciadora disse que o caso está sendo acompanhado com prioridade e que as medidas necessárias estão sendo adotadas para garantir os direitos e a integridade física da brasileira.

"O caso está sendo acompanhado com prioridade e as medidas necessárias estão sendo tomadas. Pedimos cautela na divulgação de informações não confirmadas. Assim que recebermos novas informações oficiais, retornaremos a todas as solicitações de contato recebidas e manteremos a imprensa e o público atualizados", informou a equipe.

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O advogado Jonatha Carvalho Matos, responsável pela defesa, também se manifestou nas redes sociais. Segundo ele, a situação está sendo tratada de forma contínua e prioritária, com providências que respeitem a legislação egípcia e os tratados internacionais aplicáveis.

"Não medimos esforços em busca do melhor para nossos clientes! Se precisar ir ao Egito hoje, a gente vai. Isso se chama profissionalismo!", escreveu o advogado.

Por que Malévola Alves foi presa no Egito?

A detenção foi confirmada na terça-feira pelo Ministério do Interior do Egito. De acordo com o órgão, as duas brasileiras foram identificadas e presas em Alexandria após uma investigação sobre vídeos publicados nas redes sociais.

Na versão apresentada pelas autoridades, as imagens mostram duas turistas estrangeiras em situações classificadas como obscenas e exibicionistas, com gestos de conotação sexual e abordagens a pessoas que circulavam pelas ruas.

Os vídeos que repercutiram na internet mostram Malévola e Bruna interagindo com homens egípcios, inclusive com beijos e toques dentro de um carro e em vias públicas. Em outras publicações, a influenciadora aparece dançando funk e exibindo as roupas íntimas. Nas redes sociais, ela ressaltou que estava sendo assediada por homens durante o passeio.

Segundo o Ministério do Interior, as duas brasileiras admitiram ter gravado e publicado os vídeos com o objetivo de aumentar o número de visualizações. O órgão informou que as medidas legais foram adotadas e que o caso foi encaminhado à Promotoria Pública egípcia.

Até o momento, não há confirmação de condenação das duas pelos fatos investigados.

Influenciadora relatou desespero após abordagem policial

Antes da confirmação oficial da prisão, Malévola publicou mensagens nas redes sociais relatando que ela e a amiga haviam sido levadas a uma delegacia durante um passeio por Alexandria. Segundo a influenciadora, os policiais recolheram os passaportes das duas e fizeram perguntas sobre suas identidades de gênero.

"Estamos na delegacia, estamos desesperadas. Eu não sei o que vai acontecer ou o que vão fazer com a gente. Pegaram todos os nossos passaportes e pararam nossa van no meio do passeio", escreveu.

Em outra publicação, ela relatou que os policiais perguntaram se ela e Bruna eram mulheres trans e pediu ajuda aos seguidores.

O relato gerou preocupação nas redes sociais, principalmente diante do histórico de denúncias de discriminação e repressão contra pessoas LGBTQIAPN+ no Egito. No entanto, as autoridades egípcias não apontaram a identidade de gênero das brasileiras como motivo oficial da detenção.

Como pessoas LGBTQIAPN+ são tratadas no Egito?

Embora a legislação egípcia não criminalize expressamente todas as relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo, o país tem um histórico de repressão à população LGBTQIAPN+. Dispositivos legais relacionados à moralidade pública e à chamada devassidão são utilizados em investigações e processos que atingem pessoas da comunidade.

Organizações de direitos humanos também denunciam detenções arbitrárias, discriminação e abusos contra pessoas LGBTQIAPN+ no país.

A situação de Malévola e Bruna ocorre nesse contexto, mas é necessário distinguir as preocupações levantadas pelo relato da influenciadora da justificativa apresentada oficialmente pelo governo egípcio para a prisão.

Quem é Malévola Alves?

Mariana Alves Gadelha Pereira, conhecida como Malévola Alves, é uma influenciadora trans brasileira de 22 anos, natural de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Ela ganhou visibilidade nas redes sociais com vídeos sobre sua rotina, experiências pessoais e publicações marcadas por humor ácido e declarações provocativas.

A criadora de conteúdo reúne centenas de milhares de seguidores no TikTok e já alcançou cerca de 1,9 milhão de seguidores no Instagram. Após a desativação de sua conta principal na plataforma, passou a utilizar um perfil secundário.

Em 2024, Malévola participou do Rancho do Maia, reality show produzido pelo influenciador Carlinhos Maia, o que ampliou sua exposição na internet.

A influenciadora também esteve envolvida em episódios que repercutiram nas redes sociais, incluindo relatos de transfobia e discussões sobre seu comportamento em situações públicas.

A prisão no Egito ampliou a repercussão de seu nome internacionalmente e levantou questionamentos sobre as circunstâncias da abordagem policial e a segurança das brasileiras no país.

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Até a última atualização, a defesa informava que mantinha contato com a Embaixada do Brasil no Cairo e com autoridades competentes. Não havia confirmação oficial da libertação das duas brasileiras.

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