INVESTIGAÇÃO

Como a PF recupera dados apagados? Entenda a perícia no celular de Vorcaro

Relatório da Polícia Federal detalha técnicas de extração forense aplicadas nos aparelhos móveis; perícia ainda está em andamento com previsão de conclusão em 2027

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A Polícia Federal concluiu a extração completa dos dados do principal celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e o material já foi entregue a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) às vésperas da sessão extraordinária desta terça-feira (15/9), que vai decidir se abre uma investigação formal contra o ministro Alexandre de Moraes por conta de mensagens trocadas com o banqueiro.

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No fim de semana, a PF informou ao presidente do STF, Edson Fachin, que o material original está preservado, com lacres íntegros e cadeia de custódia formalmente documentada, e que tem condições técnicas de enviar cópia idêntica dos dados a qualquer ministro que solicitar. Os gabinetes de Cristiano Zanin e Gilmar Mendes já receberam a cópia integral e iniciaram a análise.

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André Mendonça, relator do caso Master, resistiu a liberar o conteúdo de forma ampla, argumentando que a cópia em seu gabinete é apenas de segurança e que a divulgação de tudo poderia "tumultuar" a sessão de terça-feira. A Procuradoria-Geral da República também pediu que todos os ministros tenham acesso à íntegra dos dados antes do julgamento.

Apesar desse avanço no celular mais importante do caso, a perícia como um todo está longe de terminar. A Polícia Federal ainda precisa analisar cerca de 60 outros aparelhos eletrônicos apreendidos na Operação Compliance Zero, e a expectativa, mantendo o ritmo atual, é que o trabalho se estenda até 2027, dado o volume de dados e a complexidade técnica de parte dos dispositivos.

Como a perícia recupera dados apagados?

A recuperação de dados apagados é possível porque, ao deletar um arquivo, o sistema apenas marca aquele espaço como disponível para novo uso. A informação original continua armazenada na memória do aparelho até que um novo dado seja gravado por cima, o que pode levar tempo.

As ferramentas forenses realizam uma varredura profunda em busca desses fragmentos de arquivos. A partir desses vestígios, os peritos conseguem reconstruir mensagens, fotos, registros de chamadas e outros tipos de informação que se acreditava estarem permanentemente perdidos. O processo é complexo e exige equipamentos e softwares específicos — no caso de Vorcaro, a PF precisou recorrer a esse tipo de ferramenta depois que o ex-banqueiro se recusou a fornecer as senhas dos aparelhos.

Quais técnicas são usadas na extração forense?

A análise dos celulares de Vorcaro combina diferentes métodos para garantir a máxima recuperação de informações relevantes para a investigação. As principais abordagens incluem:

  • Extração física: técnica que cria uma cópia bit a bit de toda a memória do celular. Isso permite analisar não apenas os arquivos ativos, mas também os espaços que contêm dados deletados e fragmentos de informações.

  • File carving: processo automatizado que identifica e reconstrói arquivos a partir de seus cabeçalhos e estruturas de dados, mesmo que não estejam mais listados no sistema de arquivos do dispositivo.

  • Análise de bancos de dados: muitos aplicativos, como os de mensagens, armazenam suas informações em bancos de dados. Os peritos examinam esses arquivos em busca de registros marcados como excluídos para restaurá-los.

  • Quebra de senhas e descriptografia: caso o aparelho ou arquivos específicos estivessem protegidos por senhas ou criptografia, softwares especializados são empregados para obter acesso ao conteúdo.

Que tipo de informação pode ser resgatada?

O foco da perícia é resgatar qualquer dado que possa esclarecer a natureza da comunicação entre o banqueiro e o ministro. Com as técnicas aplicadas, é possível recuperar diferentes tipos de conteúdo, como:

Por que essa perícia é importante para o caso?

As informações recuperadas dos celulares de Daniel Vorcaro são consideradas cruciais para o andamento do inquérito e, agora, também para o próprio equilíbrio de poder dentro do STF. Elas podem confirmar ou desmentir as alegações sobre a troca de mensagens entre o banqueiro e Alexandre de Moraes, fornecendo provas materiais que devem pautar diretamente a decisão do plenário sobre abrir ou não uma investigação formal contra o ministro nesta terça-feira.

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