A volta da Seleção Brasileira ao EA Sports FC ganha um papel que vai além da representação dentro do jogo. Nos bastidores da gamescom latam 2026, o movimento aparece diretamente ligado ao crescimento da base dos e-sports, especialmente entre jogadores que constroem sua relação com o futebol dentro do videogame.

A ausência da Seleção limitava a conexão com o futebol nacional e afetava o competitivo. A inclusão tenta reverter esse cenário desde o início da experiência. Com a inclusão, a expectativa é fortalecer essa conexão desde o início da jornada do jogador.

Ao Estado de Minas, James Salmon, diretor sênior de marketing de parcerias da EA Sports FC, aponta que a presença da Seleção faz parte da experiência central do jogo. “Os fãs podem esperar ver a seleção brasileira dentro da experiência do jogo”, afirmou. Segundo ele, a proposta é garantir autenticidade total dentro do ambiente competitivo. “Vamos reproduzir a seleção brasileira de forma autêntica dentro do EA Sports FC”.

Do lado da CBF, o impacto é visto como estrutural para a formação de novos torcedores e jogadores. Em entrevista, Bernardo Bessa, diretor de marketing da entidade, destaca a lacuna criada nos últimos anos. “Como é que alguém vai ter paixão pela seleção se ela não está presente?”, questionou. Para ele, o videogame virou o primeiro ponto de contato com o futebol para uma geração inteira.

Essa estratégia também aparece no discurso da entidade. “Esta parceria com representa um passo importante para expandir a forma como fãs se conectam com o futebol brasileiro”, afirmou Samir Xaud, presidente da CBF. “Juntos, criaremos novas maneiras de celebrar nossa Seleção, nossos atletas e nosso legado com milhões de fãs ao redor do mundo”.

Esse cenário ajuda a explicar por que o competitivo aparece como peça central dessa estratégia. Rodolfo Motta, gerente de operações de produto da EA Sports, reforça que o foco está na comunidade antes do alto rendimento. “Nosso objetivo maior é a comunidade. Nosso foco é que ela cresça e seja feliz”, afirmou.

A eLibertadores surge como principal exemplo desse movimento. Segundo Motta, ao ser perguntado sobre a novidade, o torneio tem papel direto na renovação do cenário sul-americano. “Todo ano, a competição traz jogadores que nunca participaram de eventos presenciais”, disse. Ele destaca que a experiência prepara atletas para o cenário global. “Quem joga aqui, com pressão e torcida, consegue competir em qualquer lugar”.

A presença em eventos como a gamescom também amplia esse alcance. “Queremos que mais pessoas se sintam parte disso, não só como produto, mas como estilo de vida”, afirmou Motta, ao comentar o papel do torneio como entretenimento e porta de entrada.

Mesmo assim, a estratégia ainda convive com um limite importante. A ausência de clubes brasileiros licenciados segue como ponto de fricção dentro da comunidade, especialmente para quem vive o jogo no dia a dia competitivo. Questionado sobre o tema, Salmon reconhece a demanda. “Estamos atentos ao que os fãs brasileiros querem, mas não temos nada a anunciar agora”.

A reação do público reflete esse cenário. Nos comentários do anúncio publicado pela CBF no X, antigo Twitter, parte dos jogadores celebrou o retorno após anos de ausência. “Nem lembro qual foi o último FIFA licenciado… finalmente mudaram isso”, escreveu um usuário. Ao mesmo tempo, a cobrança pelos clubes apareceu como ponto dominante. “E o Brasileirão licenciado nada…”, comentou outro.

Em tom mais crítico, alguns jogadores apontam que a mudança ainda está longe do ideal. “Agora só falta o licenciamento dos clubes, para termos o mínimo aceitável”, escreveu um torcedor. Outros reforçam que a principal demanda segue sendo o futebol local. “Ninguém pediu isso… só queríamos o Brasileirão”, diz outro comentário. Há ainda quem amplie a discussão para o mercado e a visibilidade das ligas. “Tem que liberar pro EAS FC e para quem mais quiser. Quanto mais visibilidade a liga tiver, melhor”, publicou um usuário.

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No fim, o movimento aponta para a necessidade de ampliar a presença do futebol brasileiro no ambiente digital e fortalecer a conexão com quem joga. “É o primeiro passo de um grande trabalho que temos pela frente em retomar a digitalização da Seleção Brasileira”, afirmou Bernardo Bessa. “A gente está colocando a seleção de volta para conseguir aproximar esse público e despertar esse vínculo com o time”.

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