Presente em encontros sociais, celebrações e momentos de lazer, a cerveja é a bebida alcoólica mais consumida no mundo. Apesar de sua enorme popularidade, ela também é alvo frequente de dúvidas quando o assunto é saúde cardiovascular. Afinal, beber cerveja faz mal para o coração ou tudo depende da quantidade e do perfil de quem consome?
- Cerveja mata a sede no verão?
- Janeiro Seco: os efeitos do álcool na desidratação, no sono e na enxaqueca
A resposta, de acordo com especialistas, está longe de ser simples ou absoluta. O impacto da cerveja no sistema cardiovascular varia conforme fatores como frequência de consumo, volume ingerido, idade, histórico clínico e presença de doenças pré-existentes, como hipertensão, diabetes e dislipidemias.
O cardiologista Roberto Yano explica que o álcool, de forma geral, tem efeitos diretos sobre o coração e os vasos sanguíneos. “A cerveja, assim como qualquer bebida alcoólica, pode interferir na pressão arterial, no ritmo cardíaco e no metabolismo das gorduras. Para pessoas com comorbidades cardiovasculares, esses efeitos tendem a ser mais pronunciados e potencialmente perigosos”, alerta.
Os efeitos do consumo de álcool para o coração
Estudos científicos mostram que o consumo excessivo e frequente de álcool está associado ao aumento do risco de hipertensão, arritmias, cardiomiopatia alcoólica e acidente vascular cerebral (AVC). Mesmo bebidas consideradas “mais leves”, como a cerveja, podem contribuir para esses quadros quando ingeridas em grandes quantidades ou de forma contínua.
“No caso da cerveja, existem compostos como polifenóis e antioxidantes, derivados do lúpulo e da cevada, que já foram estudados por possíveis efeitos anti-inflamatórios. Porém, ressalto que a presença dessas substâncias não transforma a bebida em um 'protetor cardíaco'. A quantidade necessária para obter benefícios significativos exigiria um consumo de álcool tóxico para o organismo, anulando qualquer vantagem”.
Leia Mais
Outro ponto importante é o impacto da cerveja no peso corporal e no metabolismo. O consumo regular pode contribuir para o ganho de peso e o aumento da gordura abdominal, fatores diretamente ligados ao maior risco cardiovascular.
“Além disso, o álcool interfere no controle glicêmico, o que exige atenção redobrada de pessoas com diabetes ou resistência à insulina”, pontua o cardiologista.
O álcool para pessoas com comorbidades
Mas para quem já tem diagnóstico de hipertensão, insuficiência cardíaca ou histórico de infarto, existe um alerta importante, o cuidado deve ser ainda maior com o consumo de bebidas alcóolicas, especialmente com frequência.
- Cerveja zero álcool engorda? Médico explica mitos e verdades
- 91% dos brasileiros apoiam alertas de risco à saúde em bebidas alcoólicas, aponta Datafolha
De acordo com Roberto, nesses casos, o consumo de cerveja pode agravar o quadro clínico e interferir na eficácia dos medicamentos. “O consumo de álcool pode reduzir, por exemplo, o efeito de remédios anti-hipertensivos e aumentar a sobrecarga cardíaca”, destaca.
Beber cerveja é sentença?
Isso não significa que toda pessoa que consome cerveja está automaticamente prejudicando o coração. O ponto central está no equilíbrio e na individualização. Avaliação médica, exames de rotina e acompanhamento cardiológico são fundamentais para entender como o organismo reage ao álcool.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
“A principal mensagem é que o coração não se beneficia do excesso. Para quem tem alguma condição cardiovascular, a moderação não é apenas uma escolha, é uma necessidade”, afirma o cardiologista.
