Por que algumas pessoas ficam vermelhas no sol?
Segundo Asbai, entre 10% e 20% da população pode apresentar fotossensibilidade ou reações cutâneas ao sol
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Dias mais longos, calor intenso e as famosas águas de março marcam a chegada do verão no hemisfério sul. A estação, aguardada com entusiasmo por alguns e evitada por outros, traz mudanças na rotina, como o aumento da ingestão de água e o reforço no uso do protetor solar. Afinal, enquanto algumas pessoas aproveitam horas de exposição ao sol, outras mal conseguem permanecer alguns minutos sem sentir a pele arder.
Por trás dessa diferença está um fator genético: o gene MC1R, um dos principais responsáveis pela forma como a pele reage à radiação solar.
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Reações incômodas
Embora a exposição moderada ao sol seja importante para a saúde, especialmente para a síntese da vitamina D, o aumento da incidência dos raios ultravioleta (UV) durante o verão pode provocar reações incômodas na pele, como:
- Vermelhidão
- Urticária
- Manchas
- Sensação de ardência, especialmente em pessoas com a pele mais sensíveis
Segundo Ricardo Di Lazzaro, médico, PhD em genética e fundador da Genera, essa sensibilidade tem explicação científica. “A sensibilidade ao sol está ligada a um gene chamado MC1R, que pode apresentar variações em sua sequência capazes de alterar o nível de resposta da pele à radiação ultravioleta. Por isso, existem pessoas muito vulneráveis aos efeitos do sol, enquanto outras conseguem passar horas expostas sem sofrer o mesmo grau de queimadura”, explica.
Para minimizar esses efeitos, especialistas recomendam o uso de barreiras físicas e químicas, como roupas que cubram maior área do corpo, chapéus, óculos de sol e, principalmente, o uso regular de filtro solar.
O que é o gene MC1R?
Localizado no cromossomo 16, o gene MC1R está diretamente relacionado à produção de melanina, pigmento responsável pela coloração da pele, dos olhos e dos cabelos. Além de determinar os diferentes tons de pele, a melanina exerce um papel fundamental na proteção contra os raios solares e influencia a capacidade de bronzeamento.
Em condições normais, a produção de melanina se mantém relativamente constante. No entanto, uma variação específica desse gene — conhecida como SNP rs1805008 — pode reduzir essa produção. Nessa alteração, ocorre a troca de uma ou duas bases de citosina (C) por timina (T), o que está associado a uma maior sensibilidade à radiação UV.
“Indivíduos com os genótipos CT ou TT tendem a apresentar pele mais clara e menor capacidade de bronzeamento, o que aumenta o risco de queimaduras solares”, explica Di Lazzaro.
Como se proteger dos raios solares?
Apesar dos benefícios do sol em quantidades adequadas — como a ativação da vitamina D e o auxílio no tratamento de algumas doenças dermatológicas, como a psoríase — a exposição excessiva pode causar danos significativos à pele. Entre eles estão:
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- Envelhecimento precoce
- Surgimento de sardas
- Alterações na textura da pele
- Dilatação de vasos sanguíneos
- Nos casos mais graves, o câncer de pele
Por isso, manter uma relação equilibrada com o sol é fundamental. O uso diário de protetor solar, mesmo em dias nublados, a reaplicação ao longo do dia e a preferência por horários com menor incidência de radiação UV são medidas essenciais para reduzir os riscos e aproveitar o verão de forma mais segura.