PASSO A PASSO

Cannabis medicinal: 6 coisas para se saber antes de começar o tratamento

Consulta com especialista, cadastro na Anvisa para importar medicamentos e acompanhamento regular para ajuste de dosagem estão entre as etapas mais importantes

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O ano de 2026 promete ser um marco para a medicina canábica no Brasil. Além de representar o prazo final para que a União regulamente o cultivo de cannabis para fins medicinais e farmacêuticos — previsto para 31 de março —, o país deve acompanhar a consolidação do número de pacientes que recorrem a terapias com derivados da planta.

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Em 2025, mais de 873 mil pacientes movimentaram o mercado brasileiro de cannabis medicinal, segundo o anuário da consultoria Kaya Mind.

Para quem pretende iniciar um tratamento com cannabis medicinal, alguns cuidados são essenciais. A médica Mariana Maciel, CEO da Thronus Medical no Brasil e autora do livro Revolução Endocanabinoide (2025), lista os principais passos para começar de forma segura e responsável.

1. Entenda que a cannabis não é uma “pílula mágica”

Antes de tudo, é importante compreender que a medicina canabinoide é uma abordagem integrativa. “Tratamos a pessoa, não o sintoma. A cannabis deve ser associada a outras estratégias terapêuticas, considerando o paciente como um todo”, explica a especialista.

2. Procure um médico qualificado a prescrever

O tratamento começa com a escolha de um médico legalmente habilitado, com registro ativo no Conselho Federal de Medicina (CFM) e no Conselho Regional de Medicina (CRM).

Embora não exista uma certificação específica para a prescrição de cannabis medicinal no Brasil, é recomendável buscar profissionais com formação complementar e experiência clínica na área. Para ter mais segurança nessa escolha, vale procurar clínicas especializadas, indicações de membros de comunidades online e referências profissionais confiáveis.

3. Faça uma primeira consulta detalhada

A consulta inicial é decisiva. “Aqui é a hora do paciente falar tudo”, reforça Mariana. Histórico de saúde, rotina, tratamentos em curso e outros medicamentos, inclusive já utilizados, devem ser informados.

É nessa etapa que o médico define o tipo de canabinoide (CBD, THC ou combinações), a forma de uso (óleo, hidrossolúvel, intranasal, comestível, entre outras) e a posologia.

4. Cadastre-se no portal da Anvisa

Com a receita em mãos, é hora de entrar em contato com a farmacêutica responsável pelo medicamento indicado, muitas delas, como o caso da Thronus Medical, auxiliam o paciente no cadastro da Anvisa, por meio do portal gov.br – esta etapa é obrigatória para todos aqueles que querem acessar fármacos importados de cannabis medicinal no Brasil.

Depois de incluir dados como documentos e receita médica, a confirmação da autorização é enviada por e-mail sem custos adicionais e, com ela em mãos, é possível adquirir seu produto importado e tê-lo entregue em domicílio.

Vale lembrar que a autorização é válida por dois anos, mas a prescrição é válida por seis meses, uma iniciativa que estimula o paciente a retomar em consulta médica para acompanhamento e renovação de receita.

5. Compre o medicamento indicado

Somente com a autorização da Anvisa é possível entrar em contato com a farmacêutica indicada pelo médico. A importação é limitada a uma quantidade equivalente a até 180 dias de tratamento, conforme a posologia prescrita.

Mariana Maciel é especialista em medicina canabinoide
Mariana Maciel é especialista em medicina canabinoide Rafael Martins/Divulgação

6. Continue o acompanhamento

Após o início do tratamento, é preciso estar atento para o acompanhamento médico. “Esta fase não pode, de modo algum, ser negligenciada”, afirma a médica.

“O diálogo contínuo é o que garante os tão necessários ajustes de dosagem e avaliação da efetividade do tratamento, como em qualquer uso medicamentoso. O acompanhamento é fundamental”, destaca.

Não é para ficar “chapado”

Um dos principais mitos em torno da cannabis medicinal é a associação automática ao efeito psicoativo. “Nem todo tratamento envolve THC, e mesmo quando envolve, as doses são terapêuticas e controladas”, esclarece a especialista. “O objetivo não é alterar a consciência, mas modular o sistema endocanabinoide para promover equilíbrio fisiológico.”

Da dor crônica às doenças neurológicas

Segundo Mariana, a cannabis medicinal vem sendo utilizada como terapia adjuvante em uma ampla gama de condições clínicas, especialmente quando tratamentos convencionais não apresentam resposta satisfatória. Entre as principais indicações, estão:

  • Dores crônicas, como lombalgia, neuropatias e artrite
  • Transtornos de ansiedade, insônia, epilepsia refratária
  • Transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo
  • Fibromialgia
  • Doenças inflamatórias crônicas

A terapia também tem sido aplicada em doenças neurológicas como Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla e distúrbios do movimento, bem como no controle de náuseas, dor, perda de apetite e outros efeitos colaterais de tratamentos oncológicos. Em alguns casos, ainda auxilia no manejo de doenças autoimunes, síndromes dolorosas complexas, enxaqueca crônica, transtornos do sono e condições gastrointestinais inflamatórias, como a doença de Crohn.

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“Cada caso precisa ser avaliado individualmente, mas hoje já existe um corpo consistente de evidências clínicas e observacionais que respaldam o uso da cannabis medicinal em diferentes contextos terapêuticos”, explica a especialista.

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