Jairo Casali é cirurgião plástico, integra a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e a International Society of Aesthetic Plastic Surgery (Isaps). O médico é adepto do que tem sido chamado de quiet beauty, uma tendência de cirurgia plástica que defende resultados suaves, elegantes, que priorizam e revelam a beleza natural.

As técnicas voltadas para a harmonização natural e minimamente invasivas avançam dentro das cirurgias plásticas. A expertise é possível com atualização científica e formação prática - objetivo do 61º Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica, que vai até o sábado (15/11) no Minascentro, Belo Horizonte. 

Promovido pela SBCP, o evento tem como tema: “Inovação, Ética e Sustentabilidade na Cirurgia Plástica”. A programação inclui cirurgias ao vivo, cursos práticos, sessões científicas e painéis sobre medicina regenerativa, segurança, formação e novos biomateriais.

Em entrevista ao Estado de Minas, Jairo Casali fala sobre as indicações de procedimentos estéticos em menores de idade, os riscos e recomendações e faz uma ressalva quanto aos padrões de beleza impostos pelas redes sociais. 

Em que situações a cirurgia plástica em menores de idade é realmente indicada? Há critérios médicos específicos que podem justificar uma intervenção cirúrgica antes da maioridade?

Há cirurgias plásticas de caráter reparador que devem ser realizadas em idade precoce, devido ao seu impacto funcional na criança, como as de pacientes fissurados, para correção de sequelas de queimaduras ou de deformidades congênitas.

No campo das cirurgias estéticas, a correção de orelhas em abano pode ser indicada a partir dos sete anos de idade e traz grandes benefícios, pois ajuda a evitar que a criança passe, por exemplo, por situações de bullying na escola.

Já a rinoplastia pode ser realizada a partir dos 15 anos, quando a estrutura facial está mais formada, desde que o paciente esteja psicologicamente preparado para o processo.  

De que forma o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a SBCP orientam os profissionais quanto a isso?

Tanto o Conselho Federal de Medicina (CFM) quanto a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) orientam que qualquer procedimento em menores deve seguir critérios estritamente médicos e éticos. O cirurgião precisa avaliar a maturidade física e emocional do paciente, a real indicação da cirurgia e a relação entre o benefício e o risco.

O objetivo é sempre proteger o adolescente de decisões precipitadas ou motivadas apenas por pressões estéticas ou sociais. 

Especialista ressalta que o cirurgião precisa avaliar a maturidade física e emocional do paciente

Freepik

Na sua experiência clínica, o quanto a busca por “padrões de beleza de rede social” tem aumentado a procura de adolescentes por cirurgias plásticas?

Não há como negar o enorme impacto das redes sociais na forma como todos se veem, especialmente os jovens. Filtros e edições criam padrões muitas vezes inatingíveis, o que desperta inseguranças. Temos observado um aumento na procura de adolescentes interessados em “corrigir” pequenas imperfeições que, na verdade, são variações normais da anatomia.

O papel do cirurgião, nesse contexto, é orientar o paciente e os familiares, indicando cirurgias apenas quando houver real benefício e na idade adequada. 

Que tipo de influência as plataformas exercem na formação da autoimagem desses jovens?

As redes sociais fazem parte do cotidiano dos adolescentes e acabam gerando muita comparação, como um espelho moderno, mas muitas vezes distorcido. Os jovens estão em uma fase de construção de identidade, e o excesso de exposição a padrões de beleza filtrados pode causar baixa autoestima, ansiedade e uma busca por uma perfeição inexistente.

A manipulação de fotos e o uso de filtros e outros recursos nas redes sociais de modo geral podem provocar uma pressão para mudar a aparência

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Por outro lado, as plataformas também podem ser um espaço de autoexpressão e valorização da diversidade, desde que o conteúdo seja consumido com discernimento e moderação. É importante que os adolescentes e seus pais entendam que a beleza é plural e que nenhuma cirurgia deve ser motivada apenas pela busca de validação externa. 

Quais são os principais riscos de se realizar uma cirurgia estética em um corpo e mente ainda em desenvolvimento?

O cirurgião plástico deve indicar se o procedimento é adequado para a idade, primeiramente do ponto de vista físico, considerando a formação completa daquela área do corpo. Depois, é necessária uma avaliação da maturidade psicológica mínima para enfrentar todo o processo, sem risco de arrependimentos ou frustrações decorrentes de expectativas equivocadas. Por isso, o momento da cirurgia deve ser cuidadosamente avaliado.

O que pais e responsáveis deveriam observar quando um adolescente manifesta desejo de mudar algo no corpo?

O primeiro passo é escutar e acolher com empatia, sem críticas. Muitas vezes, o desejo de mudança surge de uma insegurança emocional ou de comparações com colegas e influenciadores. Os pais devem observar se o incômodo é persistente, se há sofrimento real em relação àquela característica física e se o jovem compreende as limitações e responsabilidades de uma cirurgia.

Em seguida, buscar um cirurgião plástico com formação adequada (membro da SBCP) é essencial para garantir a segurança do processo. Em alguns casos, o acompanhamento psicológico pode ajudar a esclarecer e orientar melhor as decisões.

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