A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, que pode causar grande variedade de formas clínicas, desde quadros pouco sintomáticos, até quadros graves e potencialmente fatais -  (crédito: 41330/Pixabay)

A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, que pode causar grande variedade de formas clínicas, desde quadros pouco sintomáticos, até quadros graves e potencialmente fatais

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A epidemia de dengue no Brasil é um desafio crescente para o sistema de saúde, com o Ministério da Saúde registrando um alarmante número de casos, que já ultrapassam 2.3 milhões até o último levantamento em 27 de março de 2024. Essa situação tem sobrecarregado os serviços de emergência por todo o país, evidenciando a gravidade do problema.

A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, que pode causar grande variedade de formas clínicas, desde quadros pouco sintomáticos, até quadros graves e potencialmente fatais. Entre os sintomas clássicos, destacam-se febre alta associada a dores no corpo, cefaleia, fraqueza e perda do apetite. Sintomas gastrointestinais podem estar presentes, com náuseas, vômitos e até mesmo diarreia. Metade dos pacientes apresentam manchas avermelhadas na pele.

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Todos os pacientes com dengue que apresentem algum sinal de alerta para complicações, tais como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento de mucosa, queda da pressão arterial, devem receber prontamente atendimento médico, hidratação endovenosa e realizar exames laboratoriais.

Pacientes com doenças cardíacas

Pacientes com doenças cardíacas, mesmo que não tenham sinais de alerta, devem fazer hemograma já na sua avaliação inicial. Este é o exame mais importante, não sendo imprescindível a realização dos testes diagnósticos de dengue. O hematócrito, medido no hemograma, permite melhor avaliação da necessidade de hidratação endovenosa, ou apenas oral, e a contagem de plaquetas é fundamental para que o médico possa dar a melhor orientação sobre a continuidade de medicamentos comumente prescritos para cardiopatas: os antiagregantes plaquetários e os anticoagulantes.

A infecção pode comprometer a coagulação sanguínea, aumentando o risco de hemorragias, o que é especialmente preocupante para pacientes em uso dessas medicações. Ocorre que a interrupção inadvertida das mesmas também pode ser extremamente deletéria. “A decisão de suspender esses medicamentos deve ser avaliada individualmente”, destaca a Dra. Daniela Calderaro, médica cardiologista da Unidade de Medicina Interdisciplinar do InCor.

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A recomendação do Ministério da Saúde é seguir protocolos específicos para pacientes cardiopatas com dengue, em uso de antiagregantes ou anticoagulantes. A depender do nível de plaquetas, indica-se internação hospitalar, monitorização diária do hemograma e conforme a evolução: substituição de anticoagulantes orais por anticoagulantes injetáveis e em casos mais extremos, suspensão transitória da terapia antitrombótica. “Quando as plaquetas estiverem muito baixas, contagem inferior a 30.000, recomenda-se a total cessação de anticoagulantes e antiagregantes”, explica a cardiologista.

A médica alerta que a condição do paciente com dengue pode se deteriorar rapidamente, exigindo reavaliação frequente até a completa recuperação. Um momento importante para estar alerta é quando cessa a febre, pois é à partir desse momento que alguns pacientes evoluem para a fase crítica, quando surgem os sinais de alarme e a possibilidade de evoluir para formas graves.

“A prevenção da dengue é essencial, não apenas para evitar a propagação do vírus, mas também para proteger grupos de risco, como os pacientes cardiopatas, de complicações graves”, conta a especialista.

A prevenção continua sendo a melhor estratégia contra a dengue, incluindo medidas de controle do mosquito vetor, como eliminação de criadouros e uso de repelentes. Além disso, é essencial que pacientes cardiopatas estejam cientes dos riscos associados à dengue e sigam as orientações médicas rigorosamente para garantir sua segurança durante a epidemia.