1,5bi é o número de fumantes no mundo, de acordo com o relatório sobre tabagismo da OMS -  (crédito: Lumineimages)

1,5bi é o número de fumantes no mundo, de acordo com o relatório sobre tabagismo da OMS

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Os efeitos nocivos do tabaco são duradouros mesmo para quem deixa de fumar e, acima de tudo, o sistema imunológico parece ficar muito mais danificado do que era suposto anteriormente, segundo dois estudos científicos.

"Fumar modifica o sistema imunológico adaptativo de forma persistente", aponta a pesquisa publicada pela revista Nature nesta quarta-feira (14/02) sobre os danos causados pelo tabagismo, que mata cerca de 8 milhões de pessoas por ano no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A pesquisa destaca um fator até agora ignorado: o sistema imunológico adaptativo, que é construído por infecções, permanece danificado durante anos naqueles que pararam de fumar.

As conclusões foram feitas a partir de uma amostra de mil pessoas. Os participantes foram selecionados há mais de dez anos, no contexto de um projeto realizado pelo Instituto Pasteur de Paris, e a imunidade deles foi regularmente estudada através de vários exames, especialmente o de sangue.

É um tipo de projeto muito robusto para avaliar como diferentes fatores influenciam a saúde e o metabolismo ao longo do tempo.

Neste caso, mais do que outros fatores, como o tempo de sono ou o grau de atividade física, o tabagismo ganha destaque por sua influência, indicaram os pesquisadores liderados pela bióloga Violaine Saint André.

A informação não é totalmente nova - já havia sido divulgado que fumar afeta a imunidade "inata", comum em todas as pessoas, e agrava as respostas inflamatórias.

O estudo confirmou a descoberta anterior, verificando que o efeito desaparece imediatamente após o fim do consumo de tabaco, mas revelou que o processo não é o mesmo para a imunidade adquirida.

Para algumas pessoas, a imunidade adquirida é afetada durante anos, ou mesmo décadas, após deixarem de fumar, embora a amostra seja pequena e as reações muito variáveis para avançar uma duração média precisa.

 Efeitos que desaparecem

Os pesquisadores foram além para mostrar que essas perturbações estão relacionadas a um efeito "epigenético". O DNA das pessoas permanece o mesmo, mas a exposição ao tabaco afeta a forma como certos genes se expressam na prática.