Com o comunicado de que a Gerdau está encerrando a produção de aço em Divinópolis, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais, parlamentares mineiros se pronunciaram sobre os impactos na economia local e na vida dos trabalhadores. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) foi sucinto ao associar ao governo Lula o encerramento da produção de aço. Ele compartilhou uma notícia sobre a decisão e comentou: "Ou a gente para o Lula, ou o Lula vai parar o Brasil".
Em contraponto, a deputada federal Ana Elisa (PT), natural de Divinópolis, informou nesta quinta-feira (5/11) que se reuniu com a prefeita da cidade, Janete Aparecida (Avante); o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que esteve à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Igor Cardoso; a deputada federal Lohanna França (PV); o diretor da Gerdau, Pedro Torres; e o gerente de Relações Institucionais da empresa, Leonardo Conde.
"É preciso tratar esse tema com responsabilidade. Desde ontem (4/11), quando tomei conhecimento sobre o que estava acontecendo na Gerdau de Divinópolis, o fim das tratativas e a decisão de encerramento por parte da empresa, eu movi mundos e fundos, mas não mundos e fundos de gritaria na internet", iniciou Ana Elisa.
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"Viemos para Brasília, para uma articulação que fiz junto ao vice-presidente Alckmin, para trazer a prefeita Janete e todos os representantes da Gerdau, a fim de fazermos uma defesa. Hoje é importante dizer que, sim, a Gerdau encerrou sua atividade em algumas partes, mas não é definitivo. Pode não ser definitivo. A Gerdau está em processo de hibernação, e há possibilidade de volta", complementou.
"Quero dizer que todas as minhas opiniões políticas que podem divergir com a prefeita Janete não estão acima do desenvolvimento popular e da vida da população. Digo isso porque este não é o momento de nós irmos para porta da Gerdau ridicularizar aqueles funcionários. Não é o momento de virmos para as redes sociais procurarmos um culpado. Estamos com problemas reais. Tem pessoas reais desempregadas neste momento", ressaltou, mencionando também as demissões em massa próximas ao fim do ano.
Segundo a prefeitura da cidade, a comitiva apresentou a dimensão dos impactos econômicos e sociais da decisão da Gerdau, que afeta diretamente cerca de mil trabalhadores, entre empregados próprios e terceirizados, além de atingir fornecedores, prestadores de serviços, comerciantes e pequenos negócios que dependem da atividade siderúrgica.
Brasília
A reunião teve como objetivo sensibilizar o governo federal sobre a gravidade da situação e ampliar o diálogo em busca de alternativas que contribuam para a preservação dos empregos, o fortalecimento da indústria nacional e a competitividade do setor siderúrgico brasileiro.
Para Janete Aparecida, o momento exige união de esforços e atuação conjunta entre os diferentes níveis de governo. "A Gerdau faz parte da história de Divinópolis e tem uma importância enorme para nossa economia e milhares de famílias. Não podemos medir esforços diante de uma situação tão grave. Estamos buscando apoio em todas as esferas para defender nossos trabalhadores, fortalecer nossa indústria e construir alternativas que reduzam os impactos dessa decisão. Divinópolis não está de braços cruzados", destacou.
Em Brasília, Janete Aparecida esteve também com o deputado federal e senador eleito Domingos Sávio (PL), que reafirmou seu compromisso com a defesa dos trabalhadores e o fortalecimento da indústria siderúrgica.
No parlamento, Domingos Sávio destacou a preocupação com a situação da Gerdau em sua cidade natal e atribuiu o cenário à carga tributária do país. "A Gerdau, nesta semana, já demitiu centenas de trabalhadores, fechando parcialmente a unidade. Porque, no Brasil, a carga tributária sobre a produção do aço torna impossível você produzir, quando a importação desse aço, vindo da China, paga um terço, ou menos do imposto que é recolhido para produzir o aço no Brasil."
Segundo a Gerdau, a decisão está relacionada à perda de competitividade da operação, especialmente pela ausência de fornecimento de minério de ferro a custos competitivos. O cenário é agravado pelo avanço das importações de aço e pelas condições desfavoráveis do mercado internacional, particularmente para as exportações.
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A reportagem entrou em contato com o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos), também de Divinópolis, para saber sua posição sobre o tema, mas não obteve resposta até o momento da publicação. O espaço segue aberto.
