A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) vai ganhar seis novos integrantes. Quatro entram no lugar de colegas eleitos em outubro para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e para a Câmara dos Deputados. Os outros dois assumem as cadeiras abertas pela cassação dos mandatos de Lucas Ganem (MDB) e Leonardo Ângelo (Cidadania).
Os dois que substituem os cassados já receberam o diploma. Rubem Rodrigues de Oliveira Júnior, o Rubão (Podemos), e Reinaldo Oliveira Batista, o Reinaldinho (PSDB), foram diplomados nessa quinta-feira (29/10), depois da retotalização dos votos da eleição municipal de 2024. Agora falta a posse, que cabe à Câmara.
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Dai Dias (PL), Marcos Crispim (DC), Maria da Consolação (Psol) e Luana (PT) devem chegar ao plenário no início de 2027. Os vereadores eleitos em outubro podem continuar no cargo até 31 de janeiro, já que a posse na ALMG e na Câmara dos Deputados só acontece em 1º de fevereiro.
Quem ocupa as vagas dos cassados
A retotalização foi conduzida pela juíza da 29ª Zona Eleitoral, Christina Bini Lasmar, no Fórum Eleitoral de BH. Como a Justiça anulou os votos dados aos dois parlamentares cassados, os quocientes eleitoral e partidário precisaram ser recalculados, o que gerou uma nova lista de eleitos e suplentes.
Os dois novos vereadores são justamente os autores das ações que levaram às cassações. O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) confirmou as duas decisões de primeira instância em 14 de agosto.
Rubão (Podemos), na vaga de Lucas Ganem
Primeiro suplente do Podemos, Rubão moveu a ação contra Lucas do Carmo Navarro, o Lucas Ganem (processo 0600232-64.2024.6.13.0029). Hoje no MDB, Ganem foi eleito em 2024 pelo Podemos, partido ao qual a vaga pertence. Ele perdeu o mandato por fraude na transferência do domicílio eleitoral para Belo Horizonte, feita em fevereiro de 2024. Segundo a Justiça Eleitoral, o endereço informado por ele na transferência e no registro da candidatura era a casa de outras pessoas, onde ele nunca morou. Ganem também não comprovou vínculo com a capital. Para a Justiça, o endereço foi usado para criar uma condição que não existia e assim viabilizar a candidatura.
Reinaldinho (PSDB), na vaga de Leonardo Ângelo
Primeiro suplente da federação PSDB-Cidadania, Reinaldinho foi o autor da ação contra Leonardo Ângelo da Silva (processo 0600002-85.2025.6.13.0029). Embora seja do PSDB, ele herda a cadeira de um vereador do Cidadania porque os dois partidos formam uma federação, e a vaga pertence à ela, e não a cada legenda.
Ângelo foi cassado por receber recursos não declarados da campanha de um candidato a prefeito do Republicanos, partido diferente do seu. A Justiça Eleitoral também concluiu que ele comprou apoio político, ao oferecer um emprego futuro a uma candidata a vereadora em troca da desistência da candidatura dela.
Quem herda as cadeiras dos eleitos em 2026
Três vereadores da capital conquistaram vaga na ALMG: Flávia Borja (Podemos), Iza Lourença (PSOL) e Pablo Almeida (PL). Já Pedro Rousseff (PT) foi eleito deputado federal.
Pela legislação eleitoral, os mandatos obtidos pelo sistema proporcional pertencem ao partido ou à federação. Assim, quando o titular renuncia, a cadeira passa ao candidato não eleito mais votado da mesma sigla ou federação na eleição municipal de 2024.
Dai Dias (PL), na vaga de Pablo Almeida
Daiane Dias Costa teve 5.693 votos em 2024. Nascida em Belo Horizonte em 1989, tem ensino superior incompleto, declara-se parda e registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ocupação de servidora pública estadual. Sua campanha teve R$ 345 mil em despesas pagas, 88,71% delas bancadas pela direção nacional do PL. Em 2020, ela já havia disputado uma vaga na Câmara de BH, pelo Pode, e ficou como suplente.
Marcos Crispim (DC), na vaga de Flávia Borja
Flávia Borja hoje está no Podemos, mas foi eleita vereadora pelo DC em 2024. Por isso, a vaga fica com o partido de origem e passa a Marco Antonio Crispim, suplente da legenda, que teve 8.727 votos. Nascido em Belo Horizonte em 1976, ele tem ensino médio completo e declara-se preto. Pagou R$ 144.830 em despesas de campanha em 2024. Crispim já disputou cinco eleições e volta à Câmara: foi eleito vereador em 2020, quando era filiado ao PSC.
Maria da Consolação (PSOL), na vaga de Iza Lourença
Candidata da federação PSOL/Rede, Maria da Consolação Rocha teve 5.269 votos em 2024. Nascida em Belo Horizonte em 1963, é parda, tem ensino superior completo e é servidora pública aposentada. É uma veterana das urnas: disputou dez eleições, para os cargos de senadora, deputada federal, deputada estadual, prefeita e vereadora. Em 2024, pagou R$ 146.827,11 em despesas de campanha, 71,44% delas custeadas pelo Psol.
Luana (PT), na vaga de Pedro Rousseff
Luana de Lima Souza obteve 6.495 votos em 2024 pela federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Nascida em Belo Horizonte em 1995, é preta e tem ensino médio completo. Antes de concorrer a vereadora, disputou os cargos de deputada estadual e de vice-prefeita da capital. Na última eleição, pagou R$ 289.739,25 em despesas, e a direção nacional do PT foi a principal doadora, com 89,23% dos recursos arrecadados. No TSE, sua ocupação aparece como vendedora pracista, representante, caixeira-viajante e assemelhados.
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Prazos para a posse
Depois que os titulares renunciarem formalmente, os suplentes devem ser convocados em até 48 horas. A posse ocorre em até 30 dias, e o suplente pode pedir a prorrogação desse prazo uma única vez, por no máximo mais 30 dias.
