O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno da eleição presidencial, fugiu do Brasil com ajuda de integrantes do governo dos Estados Unidos, segundo reportagem do jornal “The New York Times”. De acordo com o jornal, o jato particular usado na fuga foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação do presidente Donald Trump. Flávio é investigado em dois inquéritos sobre suspeitas de crimes financeiros e estava proibido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de sair do país.

O avião esperava o senador no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, na Argentina. De lá, seguiu para o Equador, onde foi reabastecido, e depois para os Estados Unidos.

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Fuga começou após ordem de entregar passaportes

De acordo com uma fonte ouvida pelo jornal americano, o plano foi colocado em prática na segunda-feira (26/10), depois que Flávio recebeu a ordem de entregar os passaportes. Ainda segundo o NYT, o irmão dele, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, procurou Miller assim que o senador foi intimado. Eduardo vive nos Estados Unidos e foi condenado no Brasil por coação no curso do processo da trama golpista.

No mesmo dia, o jornal “Correio Braziliense” informou que a Polícia Federal suspeitava da participação de integrantes do governo americano na fuga. A PF ainda investiga como Flávio foi de Brasília até a fronteira com a Argentina. A avaliação dos investigadores é que não haveria tempo para fazer o trajeto de carro. Uma das hipóteses apuradas é o uso de um avião do advogado Willer Tomaz, que deixou a capital federal rumo à divisa no mesmo período.

Green card acelerado

Segundo uma fonte do governo americano ouvida pelo NYT, Flávio deve pedir o green card, documento que autoriza estrangeiros a morar e trabalhar permanentemente nos EUA. O pedido teria tramitação acelerada, como ocorreu com Eduardo, que já obteve a residência permanente.

Carta golpista e recuo

Horas depois de chegar à Flórida, Flávio divulgou uma carta de teor golpista em que se autodeclarou "presidente eleito do Brasil" e acusou, sem provas, os responsáveis pela eleição de terem "roubado" o resultado. No texto, ele também agradeceu a Trump pelo acolhimento e citou o presidente argentino, Javier Milei.

A declaração irritou integrantes do governo americano, especialmente pessoas próximas a Trump, que cobraram uma retratação. A informação foi antecipada pela jornalista Marina Sanches, do UOL, e confirmada pelo Correio com um porta-voz do Departamento de Estado. Pressionado, o senador recuou e passou a se apresentar como "líder do Brasil".

Trump quer discrição

A chegada de Flávio aos Estados Unidos virou um incômodo para Trump. Segundo o Correio, o presidente americano não esperava a forte reação de opositores nem a repercussão na imprensa do país. Às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA, Trump passou a ser acusado, principalmente nas redes sociais, de contrariar a própria política anti-imigração, principal bandeira de sua campanha.

De acordo com interlocutores de Flávio, a orientação da Casa Branca é que ele evite exposição. O senador tinha marcado uma entrevista coletiva para falar sobre a liderança da oposição, mas foi orientado a adiá-la para depois do resultado das eleições americanas.

Trump volta a criticar eleição, mas diz que vai falar com Lula

Apesar do incômodo com Flávio, Trump não mudou o discurso sobre a eleição brasileira. Na quinta-feira (29/10), questionado se vai telefonar para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para parabenizá-lo pela reeleição, respondeu: "Vou conversar com ele, mas acho que a eleição foi uma vergonha no Brasil".

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Foi a quinta vez que o republicano comentou o resultado do segundo turno. Na segunda-feira, ele já havia levantado suspeitas de fraude, sem apresentar provas, e criticado a prorrogação do horário de votação. Questionado sobre quem considera o vencedor da disputa, Trump não respondeu diretamente nem disse reconhecer Flávio como presidente eleito.

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