A Dataminas Contabilidade, de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, anunciou a suspensão das atividades nesta segunda-feira (26/10), um dia após o segundo turno das eleições presidenciais. A decisão foi apresentada como um protesto contra a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o peso dos impostos sobre empresas e trabalhadores.

"É um protesto. Ontem o país foi às urnas e, com 51,79% dos votos válidos, reconduziu o mesmo governo por mais quatro anos. Respeito a democracia e o voto de cada brasileiro. Mas não posso me calar diante do que vejo todos os dias na mesa de trabalho: empresários sendo sufocados por uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo", afirmou Wellington Gonçalves, contador e CEO da empresa.

O empresário disse que a paralisação não prejudicaria os clientes, porque as guias e obrigações com vencimento nesta segunda-feira haviam sido programadas antecipadamente. Segundo ele, o atendimento seria retomado normalmente na terça-feira (27/10). "Por isso, decidi que hoje a Dataminas não vai gerar, calcular nem transmitir um único real de imposto ao governo. É um dia de silêncio de quem sustenta essa máquina", declarou.

Carga tributária chegou a 32,4% do PIB em 2025

Segundo estimativa divulgada pelo Tesouro Nacional em abril de 2026, a carga tributária bruta do governo geral chegou a 32,40% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, alta de 0,18 ponto percentual em relação ao ano anterior.

O indicador representa a proporção entre os tributos arrecadados pelas três esferas de governo — federal, estadual e municipal — e o PIB, que mede o valor dos bens e serviços produzidos no país.

De acordo com o Tesouro Nacional, o aumento em 2025 foi influenciado principalmente pela arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e pelas contribuições previdenciárias na esfera federal. Nos estados, a carga tributária recuou em proporção do PIB, enquanto nos municípios houve aumento.

O percentual de 32,40% é uma estimativa oficial, mas não deve ser apresentado automaticamente como o maior da série histórica sem considerar as diferenças metodológicas entre os levantamentos. 

Arrecadação federal cresceu em 2026

Dados divulgados pela Receita Federal mostram que a arrecadação de tributos federais somou R$ 239,384 bilhões em setembro de 2026. O valor representa crescimento real de 5,62% em relação ao mesmo mês de 2025, já descontada a inflação.

Entre janeiro e setembro, a arrecadação federal alcançou R$ 2,351 trilhões, alta real de 6,97% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo a Receita Federal, o resultado foi influenciado, entre outros fatores, pelo crescimento da arrecadação previdenciária, do PIS/Cofins e do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de capital.

A arrecadação federal, porém, não corresponde à carga tributária total do país. Enquanto a primeira mede os valores recolhidos pela União, a segunda considera também os tributos arrecadados por estados e municípios e os relaciona ao PIB.

Também, o Brasil continua sendo o que menos transforma arrecadação de impostos em qualidade de vida entre as 30 nações com maior carga tributária do mundo, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Carga tributária chegou a 33,9% em 2021

Em 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), dados do Tesouro Nacional apontaram que a carga tributária bruta do governo geral havia alcançado 33,90% do PIB em 2021, com arrecadação de aproximadamente R$ 2,94 trilhões.

Naquele ano, o indicador aumentou em relação a 2020, quando ficou em 31,7% do PIB. O resultado foi influenciado, entre outros fatores, pela reversão de incentivos fiscais adotados durante a pandemia de COVID-19.

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A redução da carga tributária também havia sido uma promessa de Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018. Na ocasião, o então candidato defendia a diminuição de impostos e a desburocratização.

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