Bolsa aciona circuit breaker pela 1ª vez desde 2020 após vitória de Lula
O circuit breaker é um mecanismo que interrompe temporariamente as negociações na Bolsa em momentos de forte queda do mercado
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A Bolsa brasileira acionou o circuit breaker nesta segunda-feira (26/10), após a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, realizado nesse domingo (25/10). É a primeira vez que o mecanismo é acionado desde março de 2020, durante a pandemia de coronavírus.
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O circuit breaker é um mecanismo que interrompe temporariamente as negociações na Bolsa em momentos de forte queda do mercado. Durante a suspensão, ficam interrompidas as negociações de ativos, derivativos e títulos de renda fixa privada.
O mecanismo é ativado quando a queda do Ibovespa atinge determinados patamares. Se o índice cair 10% em relação ao fechamento do pregão anterior, as operações são suspensas por 30 minutos. Após a reabertura, se o recuo chegar a 15%, a interrupção dura uma hora. Caso a queda atinja 20%, a B3 pode suspender novamente as negociações por um período que a própria Bolsa definirá.
A queda expressiva desta segunda-feira (26/10) reverte os ganhos registrados após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro terminou a votação na liderança, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula, então presidente.
No pregão seguinte à primeira rodada da eleição, a Bolsa subiu 7,7%, aos 206.911 pontos, em recorde em termos nominais e reais. O dólar, por sua vez, caiu 4,11%, a R$ 5,001, no maior recuo de fechamento desde 2018, quando a moeda havia perdido 5,50% em uma única sessão.
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No acumulado desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro à Presidência, em agosto, a Bolsa brasileira registrava alta de 15,3%.
O desempenho positivo dos ativos após o primeiro turno refletia a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de um ajuste fiscal mais rigoroso sob seu governo. Para os investidores, a continuidade de Lula na Presidência aumenta o temor de que não haja medidas suficientes para ajustar as contas públicas.
A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, pressionando a curva de juros. Taxas mais altas, por sua vez, podem encarecer o crédito para as empresas e reduzir as perspectivas de lucro, pressionando o mercado acionário.
Agentes do mercado já esperavam a reação dos ativos. Levantamento do Citibank com 73 gestores de fundos de ações e multimercado mostrou que, para 80% dos entrevistados, a vitória de Lula deveria provocar uma queda superior a 5% no Ibovespa nesta segunda-feira. Outros 7% esperavam recuo entre 1% e 5%, enquanto 3% projetavam valorização de 1% a 5%.
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No câmbio, 63% dos gestores esperavam uma desvalorização superior a 5% do real, enquanto outros 28% estimavam recuo entre 2% e 5%. Já 6% projetavam valorização superior a 5% da moeda brasileira.