O ator Selton Mello anunciou neste sábado (24/10) que votará no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em uma publicação nas redes sociais, o artista justificou sua escolha com a defesa da democracia, da educação, dos direitos básicos e do respeito à diversidade. Na mensagem, escrita em formato de carta, ele também defendeu o diálogo entre pessoas com posições políticas diferentes e criticou a intolerância.

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"Minha escolha será o treze, desde 1989 tem sido assim, com exceção dos anos de FHC", escreveu Selton, em referência ao número do Partido dos Trabalhadores (PT) nas urnas e aos períodos em que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ocupou a Presidência da República, entre 1995 e 2002.
A publicação foi dirigida a uma amiga chamada Alice. No texto, o ator afirmou compreender a possibilidade de ela ter uma posição política diferente da sua e destacou a importância de preservar os vínculos pessoais mesmo diante das divergências eleitorais.
"Compreenderei se sua escolha for diferente", escreveu. Em outro trecho, reforçou a disposição para manter o diálogo: "Precisamos saber construir pontes entre as diferenças e estarei sempre disposto a te ouvir com atenção e procurar entender seu raciocínio, que talvez seja diferente do meu".
Selton também associou sua decisão à empatia e à capacidade de reconhecer o sofrimento alheio. "Vai pelo lado do afeto, da capacidade de se comover com a dor do outro", aconselhou à amiga. Ao encerrar a mensagem, resumiu sua posição com uma defesa da vida e da convivência: "Jamais a intolerância truculenta, Alice querida. Sempre a vida".
O ator ainda mencionou a pandemia de Covid-19 ao justificar sua visão política, criticando a condução da crise sanitária no país, marcada, segundo ele, por descaso e falta de sensibilidade. Para Selton, a construção de um Brasil mais justo passa pela valorização da educação, pela garantia de condições básicas de sobrevivência e pelo respeito às diferenças.

Treze obras para pensar o Brasil

Além de declarar seu voto, Selton compartilhou uma lista de 13 produções culturais brasileiras que considera importantes para refletir sobre o país. A seleção reúne filmes, livros e álbuns musicais de diferentes épocas e abordagens.
Entre as indicações, estão o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles; os livros Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório, e Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus; além dos álbuns Clube da Esquina, de Milton Nascimento e Lô Borges, Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MC's, Construção, de Chico Buarque, Alucinação, de Belchior, e Da Lama ao Caos, de Chico Science & Nação Zumbi.
A lista também inclui Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri; Macunaíma, de Mário de Andrade; Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho; e O Alienista, de Machado de Assis.
Ao apresentar as recomendações, o artista afirmou que as obras podem contribuir para ampliar perspectivas e estimular reflexões sobre a realidade brasileira. Na carta, ele disse que enviou as indicações para iluminar os pensamentos da amiga "hoje ou em qualquer tempo".
A publicação também trouxe um relato pessoal.
Selton contou que seu pai morreu três meses antes e que tem buscado cuidar da própria saúde psicológica e espiritual desde a perda. Ao explicar a demora em responder à amiga, afirmou que o período tem sido importante para reorganizar seus sentimentos.
Apesar da declaração explícita de voto, o ator ressaltou que a divergência política não precisa significar rompimento. "Você pode concordar ou discordar e seguir outro caminho, eu te amarei da mesma forma, sinceramente", escreveu.
A mensagem termina em tom afetuoso, com um convite para que os dois compartilhem um bolo de que a amiga gosta.
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