O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trocou a coordenação de sua campanha eleitoral para o segundo turno da disputa presidencial. Segundo a colunista Tatiana Farah, do UOL, a troca no comando acontece com tensões, acusações, e "lavação de roupa suja". O mandatário, inclusive, criticou o ex-coordenador Edinho Silva em uma reunião: "Essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989".

De acordo com a apuração da colunista, três novos coordenadores comandarão a campanha de Lula: Camilo Santana, senador e ex-ministro da Educação, assume a coordenação política, Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil e senador recém-eleito, comandará a agenda do presidente, e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, será responsável pela comunicação.

A decisão de Lula diminui o poder de Edinho na coordenação da campanha. Na mesma reunião que Lula fez críticas à organização do presidente do Partido dos Trabalhadores, o mandatário afirmou que a campanha foi aquém da sua possibilidade, deixando claro que não esperava o resultado do primeiro turno. A fala de Lula foi em uma reunião fechada, mas que estava sendo transmitida pelo YouTube - uma mostra da desorganização. Quando o erro foi percebido, a transmissão foi cortada.

"Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho [Silva] que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989", disse o presidente.

Janja, mulher de Lula e figura central na campanha à reeleição, também foi bastante criticada nas reuniões, como as feitas por Kátia Abreu: "qual é a prioridade? Aparecer ou eleger o marido?". As queixas, no entanto, devem ser ignoradas pelo presidente, que considera a esposa importante para o momento. Um exemplo da importância, é que Lula chegou a pedir desculpas a Janja por não ter aceitado antes a ideia dos "vídeos selfie", estratégia adotada na última quarta-feira (8/10).

Sobre as queixas de Kátia Abreu, a primeira-dama avisou que continuará na campanha, a pedido do marido. Além da ex-ministra, dirigentes e pessoas próximas ao presidente também criticaram Janja, segundo a colunista. "A fala de Janja sobre Nikolas Ferreira ser um 'piá de bosta' rendeu os votos de cinco deputados para o PL em Minas", disse uma pessoa da direção à Farah.

As acusações mútuas, inclusive, se estendem até mesmo ao presidente. De acordo com a apuração da colunista, dirigentes afirmaram que Lula teria entrado "de salto alto" no primeiro turno, e subestimado Flávio Bolsonaro. O mandatário teria, inclusive, imposto que a propaganda falasse mais de seu legado do que de seu futuro, contrariando a proposta de Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social e do marqueteiro da campanha, Rui Rabelo, segundo a jornalista.

A mudança da campanha de Lula, visando o segundo turno, já começou: críticas ao plano de governo de Flávio Bolsonaro, possíveis envolvimentos em escândalos e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de reforçar o discurso sobre o fim da escala 6x1 e sobre segurança pública.

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*Estagiário sob a supervisão do subeditor Humberto Santos

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