Qual é a prioridade da Janja, 'aparecer ou eleger o marido?’
Kátia Abreu defende protagonismo de Alckmin para atrair votos e empresários
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A ex-senadora Kátia Abreu defendeu uma presença maior do vice Geraldo Alckmin e a diminuição da participação da primeira-dama, Janja da Silva, na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao jornal "O GLOBO", a atual coordenadora da campanha petista no Tocantins afirmou que a prioridade da equipe deve focar a reeleição do presidente.
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Para Kátia Abreu, recém-filiada ao PT após passagens por DEM, PP e MDB, a atuação de Janja em discursos e comícios não atrai votos. A ex-parlamentar declarou que a questão envolve estratégia eleitoral: "Qual é a prioridade, aparecer ou eleger o marido?". Segundo ela, a presença excessiva da primeira-dama não gera efeitos positivos perante o eleitorado.
“Não se trata de gênero, se trata de prioridade eleitoral. Está causando simpatia? Está gerando voto? Nós estamos percebendo que não, e isso está na boca de todo mundo. Isso não tira o valor dela. Podia ser eu. Essa coisa de gerar simpatia ou não são fases da vida. Neste momento, não está causando simpatia. Nesta hora, qual é a prioridade: aparecer ou eleger o marido? Para mim, é eleger o Lula. Não se trata de implicância com ela, se trata de uma implicância com o excesso dela que não está gerando coisas positivas”, disse Kátia na entrevista.
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Estratégia para votos e alianças
A ex-líder da bancada ruralista e ex-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que Alckmin possui capacidade para atrair empresários e o mercado financeiro, além de votos em São Paulo. Ela elogiou a hipótese de o vice assumir o Ministério da Fazenda, ressaltando a habilidade dele para montar uma equipe técnica capaz de equilibrar o ajuste fiscal e as pautas sociais.
“[Alckmin] precisa aparecer mais porque ele ajuda muito, ajuda em São Paulo, ajuda no mercado financeiro, ajuda junto aos empresários, ele ajuda toda sorte. É um cara que já foi governador de São Paulo, prefeito, já foi tudo, muito experiente, candidato a presidente contra o Lula”, afirmou a ex-ministra.
Ao analisar o resultado do primeiro turno, no qual Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula, a ex-senadora apontou falhas graves na comunicação oficial. Ela destacou que ações de saúde, como o "Mais Médicos" e o Mais especialistas, não alcançaram a população de maneira eficiente.
“Eu acho que a comunicação não foi legal. No Lula 3, foi muito ruim. Não chegou na população as vantagens que o governo estava oferecendo”, afirmou Kátia.
Kátia Abreu criticou a centralização das decisões na figura do marqueteiro Sidônio e defendeu a criação de um mini conselho com especialistas em pesquisas e estratégia. Ela também citou que o governo reservou pouco espaço aos parceiros nos principais ministérios, enfraquecendo a frente ampla construída em 2022.
“Cadê os especialistas, comunicadores, pessoas que lidam com pesquisa, os estudiosos da área? Tem que montar um mini conselho. Não pode ser o Sidônio dono de tudo, absoluto numa crise desta. Ele falhou. Esse homem (Lula) tem um mundo de programas que qualquer Duda Mendonça faria um carnaval”, pontuou a ex-ministra.
Diálogo com o campo
Sobre a resistência do agronegócio a Lula, a ex-ministra declarou que o setor mundialmente se alinha à direita. Ela afirmou que o governo de Jair Bolsonaro desconstruiu avanços obtidos nas gestões petistas anteriores e explorou sentimentos de ódio e preconceito entre os produtores.
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Kátia Abreu relembrou o período em que atuou com a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira no governo Dilma Rousseff quando, na visão dela, contornaram conflitos do setor rural com ambientalistas e pacificaram o campo.