BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Senado terá, a partir de 2027, ao menos 49 congressistas que defendem o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), ainda que com ressalvas, segundo levantamento da reportagem. Para aprovar o afastamento de magistrados são necessários 54 votos, ou seja, dois terços das cadeiras da Casa.

Hoje, 14 senadores que têm mais quatro anos de mandato já se posicionaram a favor da abertura de processos por crimes de responsabilidade contra ministros do Supremo. A partir do próximo ano, eles se somarão aos 35 que foram eleitos neste domingo (4) e que também endossam a medida.

É o caso, por exemplo, de Michelle Bolsonaro (PL) e de Bia Kicis (PL), eleitas com recorde de votos pelo Distrito Federal, e de Guilherme Derrite (PP), por São Paulo, e Carlos Portinho (PL), pelo Rio de Janeiro.

Entre os recém-eleitos, 29 foram apoiados pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira etapa da disputa ao Planalto à frente de Lula (PT). O filho de Jair Bolsonaro (PL) divulgou uma lista com 48 nomes -ou seja, Flávio conseguiu emplacar 60% dos aliados.

Os dados levam em consideração a troca de mandato de Cleitinho (Republicanos-MG) e Sergio Moro (PL-PR). Eles apoiam o impeachment de ministros do STF, mas foram eleitos governadores em seus estados e seus suplentes não têm declarações públicas sobre o tema.

O PL também terá a maior bancada no Senado a partir do próximo ano, com 28 congressistas. Elegeu 19 só neste domingo e, com isso, terá cerca de três vezes mais representantes na Casa do que o PT, que é o segundo maior partido nessa lista, com nove senadores -foram eleitos seis neste ano.

O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), segura os pedidos de impeachment contra ministros do STF. Além disso, num aceno a Lula, pautou para esta terça (6) a votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1. O petista quer colocar Flávio Bolsonaro contra a parede, forçando o senador a se posicionar sobre o projeto.

O grupo político bolsonarista trabalha com a ideia de eleger o coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN), ou a ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro, Tereza Cristina (PP-MS), para a presidência do Senado.

Marinho é favorito do bolsonarismo, por ser mais alinhado às pautas ideológicas do grupo. Já Tereza Cristina é vista como um nome capaz de angariar apoio de uma ala maior do centrão, mas ela não se manifestou de maneira clara sobre apoiar ou não o impeachment de ministros do STF.

Alcolumbre tem mandato de senador até 2030 e trabalha para conter deserções do centrão para o bolsonarismo. Também busca apoio da base do presidente Lula para se reeleger para a cúpula do Senado na próxima legislatura. O senador havia rompido com o Palácio do Planalto ao articular a rejeição de Jorge Messias ao STF.

Levantamento da reportagem indicou que 116 dos 207 candidatos mais competitivos ao Senado apoiavam o impeachment de ministros do STF.

O principal alvo dos bolsonaristas é o ministro do STF Alexandre de Moraes. Relator do processo da trama golpista, ele foi o condutor do julgamento que levou à prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro -condenado pelo Supremo a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

CASO MASTER

Embora a retirada de ministros do principal tribunal do país tenha sido abraçada principalmente pela base bolsonarista, a pauta também passou a ser defendida por candidatos mais moderados e até mesmo de esquerda.

A mudança foi motivada pelas revelações ligando ministros do STF a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No ano passado, Vorcaro foi preso por liderar um esquema bilionário de fraudes financeiras.

Até o momento, 3 dos 10 ministros do Supremo tiveram algum tipo de relação com o ex-banqueiro, conforme mostram mensagens obtidas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro -além de Moraes, os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.

De acordo com relatório da corporação, Moraes editou contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de advocacia de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o Master. Além disso, ele é apontado como possível interlocutor de Vorcaro, tendo o empresário perguntado ao ministro se deveria sair do país dois dias antes de ser preso pela PF.

Sobre Dias Toffoli, a Folha de S.Paulo revelou que empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Master em fraudes.

Além de Moraes e Toffoli, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, também do STF, aparece como um dos nomes revelados recentemente na lista de conexões de Vorcaro.

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Chama a atenção o contrato de R$ 427 milhões firmado entre o Master e a advogada Camilla Ramos, esposa do juiz federal Newton Ramos, que é ligado a Kassio. Além disso, o conteúdo do celular do ex-banqueiro revelou mensagens sobre supostos pagamentos de Vorcaro ao filho do ministro, o advogado Kevin Marques.

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