Nas sabatinas realizadas em setembro pelo Estado de Minas com os candidatos ao governo, uma pergunta foi comum para todos eles: qual o maior problema de Minas Gerais e o que fazer para resolvê-lo. Dos seis candidatos, quatro relacionaram a dívida bilionária como um dos entraves para o desenvolvimento do estado. Atualmente, o débito de Minas com a União está estimado em R$ 170 bilhões. Se for considerado todo o passivo, incluindo empréstimos internacionais, a soma chega a mais de R$ 200 bilhões.
Mas a dívida não é o único desafio apontado. Questões relativas à saúde, como a melhoria no atendimento dos pacientes, com exames e diagnósticos rápidos, são citadas pelos que almejam chegar ao Palácio Tiradentes em 2027. Também a educação, especialmente a aprendizagem, é relacionada como uma área que precisa ter atenção total do próximo governante para que Minas possa dar um salto de qualidade na formação das crianças e adolescentes.
Cleitinho Azevedo (REPUBLICANOS)
“Vou buscar investimentos para fazer um governo mais justo”
“São vários problemas de Minas Gerais, não tem só um. Eu rodei o estado inteiro e via a população mineira questionando e cobrando estradas, que é a infraestrutura. A própria saúde, deslocamento, que às vezes um cidadão tem que pegar uma ambulância e sair do interior e vir aqui para a capital. Isso preocupa muito e revolta muito o cidadão mineiro. Essas taxas que existem também, como eu sempre falo muito da questão do IPVA. A gente tem a alíquota mais cara do Brasil.
Essa questão da dívida do estado também, a gente deixa de fazer muita política pública. A gente tem que pagar essa dívida agora para o governo federal. Então, são vários problemas que eu vou trabalhar com uma equipe técnica, vou estar dentro da Cidade Administrativa com a equipe técnica. E saindo também, buscando investimento, correndo atrás para a gente fazer um governo mais justo, um governo melhor aqui em Minas Gerais, com uma equipe técnica e honesta, que é o mais importante.”
Patrus Ananias (PT)
“Vamos enfrentar o problema da dívida e o desafio das políticas públicas”
“Na verdade, Minas Gerais não tem um único problema. Tem um problema grande e específico, que é a dívida que o último governo acumulou, quase dobrando a dívida. Mas nós vamos enfrentar esse problema. Vamos buscar parcerias, repensar. Vamos pagar a dívida, sim. Mas vamos também enfrentar o outro grande desafio de Minas Gerais, que são as políticas públicas. Além da dívida, o governo anterior está nos deixando o abandono total da educação pública, privatizou escolas públicas; o abandono da saúde; o abandono também das políticas de segurança pública para garantir o direito à vida, à segurança e aos bens das pessoas, das famílias.
Vamos confrontar também a situação das mulheres, lembrando que Minas Gerais é o segundo estado mais violento do Brasil em relação às mulheres e ao feminicídio. Então, são esses os desafios que nós já estamos debatendo, refletindo com o povo de Minas Gerais, e que nós pretendemos, ganhando as eleições, implementar vigorosas políticas públicas para enfrentar e solucionar esses desafios.”
Flávio Roscoe (PL)
“Temos que pagar o passado (a dívida) e melhorar a qualidade do serviço público”
“Os principais problemas de Minas Gerais, efetivamente, são a qualidade da prestação do serviço público e o endividamento do estado. Nós não temos um bom serviço público. Ou seja, a população não percebe que está sendo bem atendida e, ao mesmo tempo, nós temos uma dívida que foi construída para gerar esse serviço público que ainda não é de qualidade. Então, nós temos que pagar o passado e reverter a expectativa da população em relação à qualidade do serviço público. Esse é o grande desafio de qualquer gestor que vai chegar. Ele não vai ter que tratar de um problema, vai ter que tratar de dois simultâneos. Porque sem dinheiro você não faz política pública. E a verdade é que você tem dívida, você não tem dinheiro. E a demanda pelas políticas públicas é enorme.”
Alexandre Kalil (PDT)
“Temos que negociar a dívida de Minas. Não é renegociar, não”
“O principal problema de Minas Gerais é a dívida. E nós temos um plano para resolver e, por isso, nós vamos conversar com o governo federal. Aliás a minha candidatura serviu muito a Minas Gerais. Porque eu chamei atenção para um problema que ninguém tinha visto: que o Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) vai tornar Minas Gerais um estado RH (Recursos Humanos). De pagar folha de pagamento.
Nós temos que negociar. Não é renegociar, não. É negociar. Porque isso nunca foi negociado com o governo. O governo nunca sentou na mesa para negociar. Então, nós temos que negociar uma condição de sobrevivência e desenvolvimento para Minas Gerais. Então, esse é o maior problema de Minas Gerais.
Mas esse sendo o maior problema de Minas Gerais, ele se transforma em um problema de saúde, educação, segurança pública. Porque é tudo dinheiro. Nós estamos falando de dinheiro. Então nós temos que ser um estado rico. Porque só estado rico ajuda quem precisa.”
Mateus Simões (PSD)
“Maior desafio é a melhoria do poder de compra do mineiro”
“Eu separaria problema de desafio. Acho que o maior desafio de Minas Gerais é a melhoria da renda, do poder de compra do mineiro, porque nós somos um estado rico, mas ainda somos, dependendo da fórmula do cálculo do IBGE, a 9ª ou a 14ª renda média do país. Esse é um desafio muito grande, porque para Minas melhorar, a gente precisa enfrentar essa questão de quanto dinheiro chega no bolso do cidadão.
Agora, o maior problema que Minas Gerais enfrenta é a sua saúde. A saúde de Minas Gerais custa muito caro e ainda tem desafios muito grandes pela frente para chegar no padrão que a gente precisa. Eu separo essas duas coisas porque você poderia optar por não resolver o problema da renda, como alguns estados fazem. Só que eu acho que a gente tem que abordar porque ele acaba tendo, no longo prazo, efeito sobre o maior problema. Renda eu pretendo enfrentar com infraestrutura e formação técnica. Por isso, as minhas duas grandes opções têm a ver com formação e infraestrutura de energia e estradas.
Agora, quando a gente fala do problema, a saúde, a melhor forma de equalizar a saúde é conseguir ter saúde preventiva, por isso a minha insistência nas UBSs, nos postos de saúde e no nosso programa Exame na Hora, para que eu possa passar a ter diagnóstico imediato dentro da UBS, evitando o distanciamento do tempo de diagnóstico para início de tratamento, de forma que a doença evolua menos e o paciente seja tratado mais rapidamente. Isso custa menos para o sistema como um todo.”
GABRIEL AZEVEDO (MDB)
“Vamos garantir a aprendizagem nas escolas ano após ano”
“O principal problema de Minas Gerais é a ausência de aprendizagem. Simplificar em educação é pouco. Aliás, há pesquisas que mostram que essa é a preocupação de mais de um terço do povo mineiro. Por qual razão? A escola não pode ser só um lugar em que o aluno vai. Você tem que garantir que a cada ano ele esteja aprendendo no momento certo. Quando você percebe o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), vê que ele até sobe nos anos iniciais, mas cai completamente no ensino médio. Sinal que o jovem sai dali para a sala de aula onde eu estou, professor universitário que eu sou, sem saber interpretar um texto, sem saber escrever bem.
E isso cria uma semi-cidadania, em que ele tem um diploma de ensino médio na mão que não vai ser tão útil. Como a gente resolve isso? Quais são as nossas propostas para resolver o problema que para nós é prioridade, que é a educação? A garantia da aprendizagem ano após ano. Essa história de passar sem aprender, como acontecia na Escola Plural, que existiu em Belo Horizonte nos anos 1990, que o aluno vai passando e não aprende, isso tem que acabar.
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Ainda, criar vínculo do professor com o sistema educacional. Há hoje muitos professores sem vínculo, isso prejudica o processo educacional. Então, mais concurso. E, claro, não se pode fazer professor de inimigo. Há quem queira resolver o problema com a escola cívico-militar. Não, eu não concordo com isso. No nosso governo, o que vai ter polícia é bandido. Para a escola é professor, ao contrário do que acontece nesse governo, que quer colocar polícia na escola e que trata professor como bandido.”
