Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

Propaganda não mexe com sucessão mineira

Entre Cleitinho e a segunda posição da disputa ao Palácio Tiradentes há um hiato de 21 pontos percentuais

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Os primeiros nove dias da propaganda eleitoral no rádio e na televisão não moveram de forma significativa os ponteiros da sucessão ao governo de Minas, segundo aponta a mais recente pesquisa Quaest/Globo divulgada nesta terça-feira, 8, realizada entre 4 e 7 de setembro. O senador Cleitinho (Republicanos) mantém a liderança, oscilando, ainda dentro das margens de erro, de 29% das intenções de voto registradas no levantamento de 21 a 24 de agosto para 32%. Entre Cleitinho e a segunda posição da disputa ao Palácio Tiradentes há um hiato de 21 pontos percentuais: o deputado federal Patrus Ananias (PT) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) têm, cada um, 11% das intenções estimuladas de voto.

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O governador Mateus Simões (PSD) apresenta 8% das preferências, está próximo à margem inferior do intervalo de confiança de Patrus e Kalil: as três candidaturas não estão em empate técnico, mas a distância de Mateus para Patrus e Kalil é de apenas 3 pontos percentuais. Entre os dois levantamentos, Patrus se manteve e Kalil e Mateus oscilaram positivamente 1 ponto percentual cada. Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL) têm 3% das intenções de voto cada. Os demais candidatos registram menos de 2 pontos percentuais. Estão indecisos 17%. Tal imobilidade nas estimativas sugere que, a despeito do início da propaganda eleitoral, o eleitorado mineiro segue desmobilizado para a sucessão estadual. Entre as duas pesquisas realizadas antes e depois da propaganda, os indecisos na intenção de voto espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados ao eleitor, caíram apenas 7 pontos percentuais, de 80% para 73%. Cleitinho foi o único que avançou nesse indicador, de 11% para 16% das intenções de voto espontânea. Patrus oscilou de 3% para 4%. Kalil e Mateus Simões se mantiveram, nessa ordem, com 2% e 1%.

Diferentemente da sucessão mineira, contudo, a disputa presidencial em Minas Gerais – estado síntese que costuma refletir as estimativas de todo o país – registrou entre as duas pesquisas movimentações mais significativas sobretudo porque, pela primeira vez, a Quaest captou o desempenho do escritor Augusto Cury (Avante). Na simulação de primeiro turno da sucessão presidencial, Lula (PT) oscilou de 30% para 31%; Flávio Bolsonaro caiu de 31% para 27%, sendo que parte dos pontos percentuais que perdeu migrou para Cury, que cresceu de 1% para 8% entre as suas pesquisas. Romeu Zema (Novo) oscilou de 7% para 6%. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) mantiveram-se, nessa ordem, com 3% e 2% das intenções de voto. Declararam-se indecisos 17%. Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, pela primeira vez, Flávio Bolsonaro surge numericamente à frente de Lula, respectivamente 40% e 37% das intenções de voto, embora a diferença esteja dentro da margem de erro, portanto, ambos seguem em situação de empate técnico.

A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) e o deputado federal Aécio Neves (PSDB) lideram, neste momento, a corrida ao Senado, respectivamente com 13% e 10% das intenções que consideram a média do primeiro e segundo voto por eleitor. Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL) têm, respectivamente, 8% e 6% das intenções de voto. Marcelo Aro (PP) tem 4%, Áurea Carolina 2%, Marco Antônio Superman (Novo), Carlin Moura (Avante), Ana Luiza do MBL (UP), Arcanjo Pimenta (MDB), Fidélis Alcântara (UP) e Victória Mello (PSTU) registraram 1% cada. Para o Senado, 29% estão indecisos e 21% manifestam intenção de votar branco ou nulo.

Com quase um terço do eleitorado ainda indeciso ou propenso ao voto nulo na disputa ao Senado, e com três em cada quatro mineiros sem nome na ponta da língua na busca espontânea para o governo de Minas, a corrida segue com favoritos, mas aberta. A propaganda eleitoral até aqui serviu para consolidar a vantagem de quem já liderava, mas ainda não engajou o eleitor comum para a importância da disputa. Nesse ritmo, o teste das campanhas só começará quando esse eleitor, meio desanimado com as urnas, ceder à urgência da escolha.


Roupa suja

Depois de ser cobrado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que participava do Show do Baccio, da BNTV, sobre a prestação de contas do filme “Dark horse’, financiado por Daniel Vorcaro, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal Mario Frias (PL-SP) foi ao X para acusar Nikolas de fazer lobby para Daniel Vorcaro. Nikolas afirmou que Frias não teria apresentado esclarecimentos sobre os valores recebidos e a aplicação dos recursos e disse que o parlamentar estaria “sumido”.


Bate e volta

Frias devolveu: “Não é só a esquerda que atua para desviar o foco e criar uma cortina de fumaça. O suposto aliado, Nikolas, achou por bem trazer essa cortina de fumaça ontem, gratuitamente e a troco de nada, talvez para desviar o foco do lobby que ele mesmo fez junto com o Vorcaro. Nikolas, eu não estou sumido, eu não estou é criando problema para a campanha do Flávio. Porque, a despeito de não gostar de você, eu, ao contrário de você, sei que é mais importante libertar o país do que ficar de picuinha na net."


Caráter

Mário Frias encerra o post afirmando que encaminhou documentos para a polícia, depois de contratar uma perícia: “Se isso não te satisfaz, talvez o problema esteja no seu caráter, não na prestação de contas feita às autoridades competentes. Não irei te responder mais nada, porque não vou bater palma para o circo que você quer montar e desviar o foco dos graves fatos que estão acontecendo no país."

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Ruy Muniz

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) indeferiu, por unanimidade, o registro de candidatura de Ruy Muniz (PV), ex-prefeito de Montes Claros, à Câmara dos Deputados. Da decisão, proferida nesta terça-feira, 8, cabe recurso. O Ministério Público Eleitoral (MPE) baseou o pedido de inelegibilidade em três frentes. A Corte, no entanto, descartou as duas acusações que envolviam a rejeição de contas públicas, mas indeferiu o registro com base em uma condenação criminal colegiada do ex-prefeito no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6).

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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