Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

A Batalha de Verdun na conquista do Planalto

Entre os três poderes, o Executivo é hoje o pato manco. Desse conflito entre bolsonaristas e lulistas por sua captura, transbordam não batalhas, mas outras guerras brutais

Publicidade

Mais lidas

A Batalha de Verdun, Nordeste da França, foi a mais longa e sangrenta da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), travada entre a França e a Alemanha, no período compreendido entre 21 de fevereiro a 18 de dezembro de 1916. Na Frente Ocidental, a guerra havia se transformado em um impasse de trincheiras. Erich von Falkenhayn, chefe do Estado-Maior alemão, planejou a ofensiva contra a fortaleza de Verdun, não para conquistar um território rapidamente, mas para travar o exército francês em um ponto de honra nacional e “sangrá-lo até a morte”. A França, por seu turno, abraçou a inquebrantável resistência – sintetizada no lema “Ils ne passeront pas!” (Eles não passarão!).

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

O confronto projetado para o segundo turno entre o incumbente e presidente Lula (PT), que concorre à reeleição e o senador Flávio Bolsonaro (PL), desafiante, assemelha-se, neste momento, a um diagrama de forças em equilíbrio estático, frequentemente ilustrado pela brincadeira do cabo de guerra. Quatro pesquisas de intenção de voto realizadas pela BTG Pactual/Nexus e a Quaest/Rede Globo, entre 10 de agosto e 1º de setembro, duas das quais antes do início da propaganda eleitoral e duas depois, mantêm uma dramática situação de empate técnico, com oscilações sem relevância estatística entre as pesquisas de mesma metodologia.

Na pesquisa Quaest realizada entre 10 e 13 de agosto Lula registra 43% e Flávio Bolsonaro 40% das intenções de voto; no levantamento realizado entre 30 de agosto e 1º de setembro, divulgado nesta quarta-feira, 2, Lula tem 42% e Flávio, 41%. Com levantamentos realizados entre 21 e 23 de agosto e entre 28 e 30 de agosto, a BTG Pactual/Nexus apresenta estimativas idênticas: Lula obtém 46%, Flávio 45%, 8% são votos brancos ou nulos; 1% está indeciso.

Se o segundo turno da eleição presidencial neste momento projetado entre Lula e Flávio Bolsonaro não aponta novidade; a mais recente pesquisa Quaest confirma os insights apontados pela BTG Pactual: o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) cresceu entre 8 e 10 pontos percentuais, engolindo os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) que tentaram se consolidar como terceira via.

Com um agressivo discurso antissistêmico, Renan Santos (Missão), em sua “assombrosa agressividade”, se manteve com 3% das preferências e uma maior rejeição, confrontado que foi por Cury, em sua promessa de “cura” para o Brasil, em seu acolhedor divã. Se a eleição fosse hoje, seria baixa a chance de Cury alcançar o segundo turno. Apesar disso, ele teria um papel fundamental na batalha de Verdun entre eleitores do segundo turno.

Entre os três poderes, o Executivo é hoje o pato manco. Desse conflito entre bolsonaristas e lulistas por sua captura, transbordam não batalhas, mas outras guerras brutais. A primeira no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), entre o ministro André Mendonça, – relator e senhor do tempo dos processos do Caso Master e das fraudes do INSS –, e o ministro Alexandre de Moraes. A despeito das dramáticas revelações, de difícil defesa, sobre o caso Moraes-Vorcaro, apontadas como “sérios elementos de fatos” pelo presidente do STF Edson Fachin, também a “atuação processual” de Mendonça foi criticada. Ela é sugestiva de um ritmo que acompanha a conveniência do relógio eleitoral.

Enquanto a guerra pelas 54 cadeiras do Senado ganha mais combustível pela sem precedente crise institucional do STF, outras batalhas estão em curso: no seio da Polícia Federal e no coração do Senado, com a oposição pressionando o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), pela imediata abertura de um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes. Eis o teatro de operações destes 31 dias que antecedem o primeiro turno da sucessão presidencial. Poderão tantos fatos intervenientes alterar o curso do projetado segundo turno entre Lula e Flávio?

O combate da Batalha de Verdun durou 300 dias, resultou em mais de 700 mil baixas. Em decorrência da paralisia estratégica, a linha de frente praticamente não se moveu. Os exércitos retornaram às posições quase idênticas às do início do confronto. Verdun deixa a sua lição: a força resultante nula não significa paz, mas exaustão. À medida que o STF se fratura, o Senado se converte em trincheira de impeachment e o Executivo assiste, acorrentado à sua própria sangria, a política brasileira reproduz a inércia. Qualquer que seja o sobrevivente a ocupar o Palácio do Planalto, terá o gosto amargo de um país que gastou toda a sua energia para continuar exatamente no mesmo lugar.


Semana JK

Entre 8 e 13 de Setembro, será realizada, em Diamantina, a tradicional “Semana JK” , que celebra anualmente a vida e o legado do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que nasceu na cidade em 12 de setembro de 1902. Neste cinquentenário de sua morte, que aconteceu em 22 de Agosto de 1976, o tema será “Seu legado vive em cada conquista e inspira gerações”. Estão previstos shows musicais, palestras culturais, serestas pelas ruas históricas, exibição de documentários e a tradicional outorga da Medalha Presidente Juscelino Kubitschek.

Memória

Serafim Jardim, presidente do Museu Casa de Juscelino, estará à frente de atividades que apresentam o acervo do museu a estudantes e pessoas interessadas. Aos 91 anos, ele é uma das maiores referências vivas na preservação da memória de Juscelino Kubitschek. Muito além de um papel institucional, a atuação dele é também expressão de uma conexão pessoal: natural de Diamantina, o pai de Serafim Jardim foi amigo de infância do ex-presidente, e seu tio, Dom Serafim Gomes Jardim (ex-arcebispo de Diamantina), foi importante apoiador no início da carreira política de Juscelino. Na década de 1967 a 1976 (período pós-exílio), além de amigo, Serafim foi secretário particular de JK, acompanhando-o em viagens e vivenciando de perto suas angústias, sob a vigilância do regime militar.

Pacheco no TCU

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 2, o Projeto de Decreto Legislativo 995/26, do Senado, que indica o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). O relator foi o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), que recomendou a aprovação. Foram 404 votos a 61, e uma abstenção. Como já havia sido aprovada pelo Senado, a indicação vai à promulgação por Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso Nacional.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Escala 6 por 1

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira, 2, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Não houve alterações no texto aprovado pela Câmara dos Deputados: reduz jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de repouso semanal remunerado. O texto segue agora para o plenário.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

Tópicos relacionados:

eleicoes planalto senado stf

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay