A guerra do STF na urna presidencial
Em palanques em várias capitais, candidatos ao Senado do campo bolsonarista abraçaram a pauta do impeachment, que já estava na agenda, apostando que com o escândalo ganhem novo impulso
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A nova narrativa de campanha associa Moraes a Lula, tratando-os como uma só pessoa. Assim Flávio Bolsonaro resolve uma série de situações de campanha que dificultavam o seu desempenho eleitoral, desde que, em março passado, foram divulgados áudios em que ele pedia dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark horse”, sobre a biografia do pai, Jair Bolsonaro, com previsão de lançamento na reta final da campanha presidencial. Em primeiro lugar, acerta as contas com o relator do processo que julgou e condenou os envolvidos na tentativa de golpe, entre eles, Jair Bolsonaro. Em segundo lugar, o caso Vorcaro sai das costas de Flávio para a de Moraes.
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Ao retirar, em 1º de setembro, o sigilo sobre a ação que apura mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, André Mendonça fez mais do que expor à execração pública as relações do ministro com o ex-banqueiro do Master. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também são citados no relatório da Polícia Federal. Do ponto de vista institucional, André Mendonça detonou a maior crise da história do STF: para além de trazer a público uma investigação de um ministro sem autorização do plenário, os procedimentos adotados foram criticados pelo timing, com potencial para interferir no processo eleitoral.
Em meio à guerra entre Moraes e Mendonça, soube-se que o próprio Mendonça havia se encontrado com Daniel Vorcaro, em 14 de março de 2025, na sede do Instituto Iter, fundado por Mendonça. Desde 2024, o Iter firmou diversos contratos sem licitação com órgãos públicos de 15 estados, num total de R$ 11,5 milhões. Mendonça renunciou à direção do instituto. A guerra no STF transbordou para o Senado, com a oposição bolsonarista pressionando o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), pela abertura de impeachment. O conflito ganhou o braço religioso, com lideranças evangélicas tomando partido de Mendonça e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) declarando o ministro “ungido”.
Foi nesse contexto que as manifestações de 7 de setembro convocadas pelo PL e Flávio Bolsonaro foram às ruas. Chamadas em várias capitais, foram menores do que esperadas. Em São Paulo, 28,5 mil pessoas estiveram na Paulista no horário do pico, às 16h30, segundo o Monitor do Debate Político da USP em parceria com o Cebrap e a ONG More in Common, que calculam com metodologia que utiliza imagens de drones e inteligência artificial.
Em palanques em várias capitais, inclusive Belo Horizonte, candidatos ao Senado do campo bolsonarista abraçaram a pauta do impeachment, que já estava na agenda, apostando que com o escândalo ganhem novo impulso. A reforma do Judiciário está na pauta de todos os candidatos, com diferentes propostas. A esta altura, a campanha do PT debate reforma do Judiciário com medidas anticorrupção para se blindar Lula da estratégia de Flávio Bolsonaro de associá-lo à crise no STF.
O 7 de Setembro se encerrou com a divulgação do mais recente levantamento Quaest da sucessão presidencial. Até aqui, entre mortos e feridos nos combates institucionais, o cabo de guerra segue com a mesma tração. Na simulação de segundo turno, Lula tem 42% – o mesmo que tinha em 2 de setembro – e Flávio segue com os mesmos 41%. Na simulação de primeiro turno, tampouco foram registradas mudanças, apenas oscilações. Lula 36% (eram 37% em 2 de setembro), Flávio 29% (tinha 30%), e o escritor Augusto Cury (Avante), 8%, obteve 10% na última pesquisa.
Cleitinho e o Senado
O senador Cleitinho (Republicanos) anunciou durante manifestação convocada pelo PL na Praça da Liberdade, neste 7 de Setembro, que os seus candidatos ao Senado Federal são o deputado federal Domingos Sávio (PL) e o influenciador Marco Antônio Costa, o Superman (Novo). Cleitinho descartou apoio ao candidato ao Senado Marcelo Aro (PP). Cleitinho assinalou que eventuais agendas em apoio a terceiros, das quais Aro também participou, não significam apoio dele ao candidato ao Senado pelo PP: “Em uma campanha, tem pessoas que vão lá, que são candidatos, e fazem a agenda. Eu vou lá nessa agenda e tem outros candidatos. Isso é democracia”, disse.
Luto
O presidente Lula (PT) lamentou, em publicação nas redes sociais, a morte do economista Márcio José Patrus Ananias, irmão do deputado federal Patrus Ananias (PT) e candidato ao governo de Minas. "Manifesto meus profundos sentimentos pelo falecimento do economista Marcio José Patrus Ananias neste domingo. Ao seu irmão, meu companheiro Patrus Ananias, e a todos os seus familiares e amigos, deixo minha solidariedade e um abraço caloroso", escreveu Lula. O enterro de Márcio José Patrus Ananias foi nesta segunda-feira.
Colégio Cataguases
O candidato do MDB ao governo de Minas, Gabriel Azevedo, protocolou junto a órgãos federais e estaduais seis medidas administrativas com pedido de informações e providências para a recuperação do Colégio Cataguases, atual Escola Estadual Manoel Inácio Peixoto. Projetado por Oscar Niemeyer na década de 1940, o complexo, financiado à época pelo industrial e escritor Francisco Inácio Peixoto, integra o conjunto histórico protegido pelo Iphan e reúne arquitetura, artes plásticas, mobiliário e paisagismo. Os jardins são de Roberto Burle Marx. Entre as contribuições artísticas estão a escultura “O Pensador”, de Jan Zach; o mobiliário de Joaquim Tenreiro; e o painel “Abstrato”, de Paulo Werneck.
Degradação
A piscina com trampolim e os vestiários subterrâneos do Colégio Cataguases fazem parte do conjunto modernista descrito no inventário do Iepha-MG sobre a obra de Niemeyer. Segundo Gabriel Azevedo, que visitou as instalações do colégio ao lado do prefeito José Henriques e da vice-prefeita Carol Damasceno, as condições de abandono das instalações contrastam com a proposta de um ambiente projetado para reunir educação, esporte e cultura.
Painel Tiradentes
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Encomendado especialmente para o colégio e concluído em 1949, o painel “Tiradentes”, de Candido Portinari, foi vendido ao governo de São Paulo na década de 1970 e posteriormente instalado no Memorial da América Latina. No colégio, o original foi substituído por uma reprodução.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
