O mapa da indecisão no cabo de guerra pelo Planalto
Os cinco estados-chave têm em comum o fato de que a desaprovação do governo Lula está acima da média nacional de 49%
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Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul são os estados brasileiros que concentram o maior estoque de eleitores indecisos do país em relação à sucessão presidencial. Em todos eles, indecisos apresentam proporções maiores do que a média nacional de indefinidos, que é de 12,9%. A se repetir a mesma taxa de 80% de comparecimento do segundo turno da sucessão presidencial de 2022, a estimativa é de que os eleitores ainda indecisos representem, hoje, 8,9 milhões de votos – mais de quatro vezes a diferença de 0,9% que deu vitória a Lula (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL) há quatro anos. “A eleição no Brasil será definida nesses cinco estados”, afirma o cientista político Fábio Vasconcellos, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), da PUC Rio e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), no campo da representação e legitimidade democrática (Redem).
Vasconcellos analisou intenções de voto em simulações de primeiro turno extraídas de pesquisas realizadas em 23 estados brasileiros pela Quaest nas duas últimas semanas de agosto. Pará, Ceará, Piauí, Sergipe não estão na análise. Enquanto no Rio Grande do Sul indecisos alcançam 18%; em Minas Gerais e no Espírito Santo são 17%; no Rio de Janeiro 16%; e, em São Paulo, 13%, gravita no patamar da média nacional. Esses cinco colégios concentram 74,9 milhões de eleitores. Com a abstenção estimada em 20% do eleitorado, são esperados, aproximadamente 60 milhões de votantes, dos quais, 8,9 milhões ainda não se posicionaram. “São estados em que a disputa está em aberto: os dois principais candidatos aparecem empatados na margem de erro ou com vantagem de poucos pontos percentuais”, afirma, lembrando que em São Paulo são quase 3,5 milhões de eleitores indecisos; 2,2 milhões em Minas Gerais, 1,6 milhão no Rio de Janeiro, 1,2 milhão no Rio Grande do Sul e 400 mil no Espírito Santo.
Os cinco estados-chave têm em comum o fato de que a desaprovação do governo Lula está acima da média nacional de 49%, variando entre 51% e 58%. “Mesmo com a avaliação negativa de governo mais alta, são estados onde os eleitores indecisos, até aqui, não optaram pelo voto em Flávio Bolsonaro”, afirma. Altas taxas de indecisos e a desaprovação do governo Lula maior do que a média nesses cinco estados-chave são variáveis que acrescentam dramaticidade à indefinição da sucessão presidencial, que tem sido apontada, nas simulações de segundo turno divulgadas ao longo da última semana pela Datafolha, BTG Pactual/Nexus, Quaest e Atlas Intel pela situação de empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Ao mesmo tempo em que esses cinco colégios eleitorais ainda não se posicionaram no pleito presidencial projetado entre Lula e Flávio Bolsonaro, em nove estados brasileiros, sobretudo do Nordeste, as taxas de indecisos são menores do que a média nacional – variam entre 8% e 12%. As taxas de intenção de voto em Lula são superiores à média nacional. Assim como em 2022, tendem a reeleger o presidente em 2026 os estados da Bahia, Pernambuco, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Tocantins, Amazonas e Amapá. Lula alcança na Bahia 53% das preferências contra 16% de Flávio Bolsonaro; em Alagoas, o presidente tem 54% contra 19% de Flávio Bolsonaro; no Rio Grande do Norte a corrida está 54% a 20%; no Maranhão 58% a 20%.
Em outros nove estados do Sul, Centro-Oeste e Norte, também as taxas de indecisos são menores e a tendência é de confirmem preferência majoritária por Flávio Bolsonaro. São eles Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima, Acre, Goiás e Distrito Federal. Em Santa Catarina, Flávio Bolsonaro registra 45% contra 20% de Lula; no Paraná, 41% a 23%; no Acre 44% a 24%; e em Roraima Flávio Bolsonaro alcança a maior diferença proporcional em relação a Lula: 54% a 17%.
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Quando as intenções de voto mensuradas neste pleito são comparadas com os resultados das eleições de 2022, há bases que se mantêm e outras que se deslocaram. “No primeiro turno de 2022, Lula venceu em 14 estados e Bolsonaro em 13”, indica Fábio Vasconcellos. “As bases de cada polo permanecem parecidas: Lula mantém ampla folga no Nordeste, enquanto a oposição preserva a dianteira em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e no Norte”, afirma. É no Sul e no Sudeste onde se concentra a mudança em relação ao padrão de 2022. “Naquela eleição, Jair Bolsonaro venceu em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, enquanto Lula levou Minas Gerais por margem estreita”, observa. Mas, pelas pesquisas mais recentes, nenhum desses cinco estados aponta favoritismo claro. Todos permanecem no terreno da disputa aberta. “Flávio Bolsonaro não pode dar como garantida a vantagem herdada do pai em São Paulo e no Rio, assim como Lula não pode tomar Minas Gerais como vitória certa”, aponta Fábio Vasconcellos.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
