Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

A cartada de Aécio ao Senado

Aécio Neves irá anunciar a sua decisão nesta mesma sexta-feira, em que terá início a propaganda eleitoral gratuita para o Senado, governo de Minas e Assembleia Legislativa

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O presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves será candidato único ao Senado da coligação “Cuidar de Minas”, integrada pela federação PSDB-Cidadania e pelo PDT, na chapa majoritária encabeçada pelo ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), candidato ao governo de Minas. Depois da renúncia do primeiro candidato ao Senado da chapa, Marcelo Heringer (PDT) – o que aconteceu nesta quarta-feira, 26 –, foi a vez de também o segundo candidato ao Senado, Gustavo Galassi (PSDB) encaminhar à Justiça Eleitoral a sua renúncia, nesta quinta-feira, 27. Assim que for homologada a desistência de Galassi, a coligação “Cuidar de Minas” irá informar à Justiça Eleitoral que Aécio Neves o substituirá. A legislação permite trocas de candidaturas até 14 de setembro, 20 dias antes da eleição, em três situações: registro indeferido; registro cancelado ou cassado; em caso de renúncia voluntária ou morte do candidato.

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Aécio Neves irá anunciar a sua decisão nesta mesma sexta-feira, em que terá início a propaganda eleitoral gratuita para o Senado, governo de Minas e Assembleia Legislativa. O slogan de sua campanha será “O senador de Minas”, em referência ao fato de que não está vinculado nem ao bolsonarismo nem ao lulismo, campos políticos que polarizam e protagonizam a disputa nacional. Não haverá tempo hábil para que a candidatura de Aécio Neves seja apresentada no horário eleitoral e inserções que vão ao ar neste primeiro dia.

Ex-governador de Minas por duas vezes e com recall característico de sua alta taxa de conhecimento, Aécio Neves chegará à disputa possivelmente pontuando entre as candidaturas que lideram a corrida. Serão agora cinco e não mais quatro as mais competitivas: Marília Campos (PT), Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL), Marcelo Aro (PP) e Aécio Neves (PSDB). Agora, a competição pelo voto passa a ser maior entre as candidaturas da direita ao centro político, não vinculadas diretamente ao bolsonarismo e ao lulismo, nichos que tendem a votar ideologicamente de modo mais orgânico.

Além de Aécio Neves, que, que no último minuto do segundo tempo chega impondo nova dinâmica à corrida ao Senado, outra reviravolta ainda poderá ocorrer. No meio político, não causará espanto se também o ex-governador Romeu Zema (Novo) desistir de sua candidatura à Presidência da República para concorrer ao Senado. Além de não se destacar com bom desempenho nas sabatinas em rede nacional, até aqui, Zema não dá sinais de que vencerá a barreira dos 5% das intenções de voto.

Para o Novo, o propósito dessa candidatura é dar visibilidade à legenda e impulsionar as chapas proporcionais para a Câmara dos Deputados. Zema, contudo, tinha o seu próprio sonho. Talvez tenha imaginado que assim com venceu Minas em 2018 da rabeira das pesquisas, no contexto do lavajatismo e das narrativas antissistemas, voltaria a fazê-lo em 2026. O ex-governador pode ter despertado a tempo de compreender que o raio não costuma cair duas vezes no mesmo lugar.

Candidato à Presidência por um ano – ele se lançou em agosto de 2025 –, para o bem ou para o mal ganhou visibilidade nacional e o seu minuto de fama. Se para o Planalto a eleição pouco a mais terá a oferecer – já que terá acesso apenas a um tempo residual de antena – caso concorra ao Senado, terá grande chance de se eleger.

Na história de Minas, ex-governadores nunca foram derrotados ao Senado Federal. Mesmo Francelino Pereira, indicado pelos generais de plantão para governar Minas no período de 1979 a 1983: onze anos depois de encerrado o mandato elegeu-se pelo então PFL para a primeira vaga do Senado com 19,8% dos votos, seguido por Arlindo Porto (PTB), que obteve 15,93%.

Em 2002, quatro anos depois de ter sido derrotado em sua tentativa de reeleição ao governo de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB) conquistou a primeira cadeira do Senado com 25,89% dos votos. Hélio Costa (MDB) ficou com a segunda cadeira, obtendo 22,23% dos votos. Em 2010 foi a vez do próprio Aécio Neves – que governou Minas entre 2003 e abril de 2010 – conquistar a primeira cadeira do Senado com 39,48% dos votos. Para a segunda vaga elegeu-se Itamar Franco, ex-presidente da República e ex-governador de Minas, com 26,75% dos votos. Quatro anos depois foi a vez do ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) eleger-se ao Senado com 56,73% dos votos.


Lapsos de memória

O ex-governador Hélio Garcia costumava dizer que o Senado Federal foi a única função de representação que não exerceu, para a qual gostaria de ter sido eleito. Em 1998 ensaiou concorrer. Embora liderasse as pesquisas com 29% das intenções de voto, Hélio Garcia, que à época já exibia lapsos de memória, surpreendeu ao desistir de concorrer. Poucos entenderam.

Velha raposa

Com aliados, Hélio Garcia reclamou de deputados que foram de sua base e haviam transferido o apoio para a candidatura de José Alencar Gomes da Silva, candidato ao Senado na chapa majoritária encabeçada por Itamar Franco ao governo de Minas. Possivelmente, previu que embora liderasse a corrida, não teria fôlego para chegar ao final. Encerrou a carreira. Estava com 67 anos. José Alencar e Itamar venceram aquela eleição. O primeiro se tornou em 2002 vice-presidente da República.

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As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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