Duda Salabert aciona PF após ameaças de envenenamento contra indígenas
Deputada denuncia áudios em que servidor sugere colocar veneno na água de comunidades; caso ocorre em Tacuru após o resultado das eleições presidenciais
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A deputada federal Duda Salabert (PSol) acionou a Polícia Federal, o Ministério Público e o Ministério dos Povos Indígenas para apurar denúncias de ameaças contra comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul. A medida foi tomada após um servidor municipal ameaçar envenenar a água consumida pelos indígenas depois da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de domingo (25/10).
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As ameaças foram reveladas por áudios vazados de grupos bolsonaristas e atribuídas a um funcionário de Tacuru. Em um dos trechos divulgados, o autor da gravação afirma: "Já falei, tem que apanhar veneno na água, matar essas pragas na água".
???? URGENTE: VIOLÊNCIA CONTRA OS POVOS INDÍGENAS EM CURSO
— Duda Salabert (@DudaSalabert) October 28, 2026
Recebi várias denúncias de assassinatos, ameaças de envenenamento e crimes de racismo contra os povos indígenas em Mato Grosso do Sul, após a vitória do presidente Lula.
Áudios vazados de grupos bolsonaristas revelam ameaças atribuídas a um servidor público do município de Tacuru, incluindo a intenção de envenenar a água consumida pelas comunidades indígenas.
Acionei o Ministério dos Povos Indígenas, o Ministério Público e a Polícia Federal para que apurem as denúncias e, acima de tudo, atuem para proteger a vida dos povos indígenas, que há séculos lutam pelo direito à terra.
#ProtejamNossosPovosIndígenas
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Afastamento de servidor e apuração federal
O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), determinou o afastamento temporário do funcionário e abriu um Processo Administrativo Disciplinar para apurar a conduta. O servidor atua no setor de infraestrutura operando caminhão-caçamba e não trabalha na rede de abastecimento de água do município. O governo federal também encaminhou o caso à Polícia Federal para investigar os fatos.
A deputada federal Célia Xakriabá (Psol) também pediu investigações sobre a ameaça de contaminação da água no território dos Guarani Kaiowá, onde lideranças afirmaram ser vítimas da ação. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil também formalizou a denúncia.
A representação foi levada aos ministérios da Justiça e Segurança Pública e dos Povos Indígenas, além do Ministério Público Federal e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Célia Xakriabá pontuou que os indígenas Guarani Kaiowá enfrentam dificuldades de acesso à água potável, dependem de caminhões-pipa e ficariam sob risco de morte com uma eventual contaminação.
Reação de lideranças e manifestações
Em nota conjunta, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial pediram a investigação do caso. As pastas federais ressaltaram que também acompanham denúncias de violência registradas contra povos de terreiro e comunidades quilombolas após a eleição.
O cacique da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, Ivan Montiel, afirmou que buscará a responsabilização cível e criminal dos envolvidos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a liderança informou: "Não vamos aceitar este tipo de preconceito contra nossa comunidade, ameaçando colocar veneno em água".
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Montiel também declarou que os povos indígenas possuem a liberdade de escolher seus representantes nas urnas. A Aty Guasu, Grande Assembleia dos povos Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul, publicou manifestação repudiando as ações de racismo, preconceito e as ameaças enviadas às comunidades.