O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou o ChatGPT para criticar uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre exames ginecológicos. A declaração ocorreu durante agenda em Belém, no Pará, após a realização da primeira cirurgia robótica de próstata pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Norte.

No discurso, Lula comparou a resistência de homens ao exame de toque retal com os exames ginecológicos feitos por mulheres desde jovens. O presidente também citou a morte da mãe, Dona Lindu, por câncer uterino.

“Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde quando é pequena. O homem não, ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que quando tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele”, afirmou.

Ao exibir um recorte da declaração, Nikolas afirmou que apenas mulheres que já tiveram atividade sexual passam por exames ginecológicos internos. O deputado também recorreu ao ChatGPT para questionar se estava errado dizer que crianças aprendem desde cedo a “tomar toque”.

Na interação apresentada pelo parlamentar, a inteligência artificial condicionou a avaliação à hipótese de que “a pessoa está se referindo ao toque vaginal como rotina em crianças”. A resposta, portanto, se refere a essa situação específica, enquanto a declaração de Lula ocorreu em uma comparação entre exames realizados por homens e mulheres.

Nikolas também exibiu um pôster com os dizeres “Meninas não são tocadas ‘desde cedo’” e associou a declaração à pedofilia. “Imagina a merda de um pedófilo ouvindo o presidente da República falando isso?”, disse. “Agora dá pra entender porquê que o Lula não tá querendo ir mais pros debates. Porque toda vez que ele abre a boca, mostra quem ele é”, acrescentou.

O que diz a Presidência

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) afirmou que a fala de Lula se refere a políticas de saúde pública e prevenção ao câncer.

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“Durante o discurso, ele criticou a resistência cultural de muitos homens em realizar o exame de toque retal para diagnosticar o câncer de próstata e comparou esse comportamento com a rotina de exames preventivos das mulheres que começam muito cedo”, diz a nota enviada ao Estado de Minas.

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