Citações que vão da máfia italiana a "aprendizes de feiticeiro" marcaram a tensa sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgava se o ministro Alexandre de Moraes deveria ser investigado. O debate analisa mensagens trocadas entre o magistrado e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o tom incomum das falas refletiu a alta voltagem do julgamento.
O presidente da Corte, Edson Fachin, abriu a sessão destacando o peso da decisão. "O país olha para esta Corte. A história também olhará para este momento", afirmou. Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli não se manifestaram. Já o decano Gilmar Mendes e Flávio Dino solicitaram apartes para questionar a condução dos trabalhos.
Leia Mais
-
Veja frases marcantes da sessão do STF que discute futuro de Alexandre de Moraes
-
Vorcaro arrasta ministros do STF para o centro do escândalo do Master
-
Moraes versus Mendonça: os bastidores da 'guerra civil' dentro do STF
Máfia italiana
O ministro Gilmar Mendes criticou o que chamou de "vazamento seletivo" de informações. Em um recado direto ao ministro André Mendonça, que pediu a investigação contra Moraes, ele usou uma analogia com a organização criminosa italiana para cobrar ética entre os pares. "Já disse isso em outro momento: até a máfia tem ética. É preciso ter decência, não se comportar desta forma. Um tribunal que isso admite já não delibera com liberdade", afirmou o decano. Ele ainda mencionou um "jogo de omertá [código de silêncio da máfia italiana], de máfia", para descrever a situação.
Leia Mais
Aprendiz de feiticeiro
Voltando a falar sobre o impacto do caso, Gilmar Mendes classificou como "aprendizes de feiticeiro" aqueles que, segundo ele, tentaram arrastar o Supremo para a disputa política. O ministro defendeu que a Corte se mantenha afastada do contexto eleitoral. Em tom de indignação, repetiu uma expressão que já havia utilizado em outros julgamentos: "É de uma desfaçatez de corar frade de pedra. De corar frade de pedra! Em nome de Deus. Como em nome de Deus já se fez muita patifaria", disse.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Críticas à politização
Para o decano, a condução do caso teve motivações políticas, em uma crítica indireta a Mendonça. "Evidente condução político-eleitoral. Escolha do 7 de setembro, até pixulecos... Isto não se faz. Pessoas decentes não fazem isso", afirmou, referindo-se a supostas tentativas de usar o caso para fins eleitorais.
