O governador Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição em Minas Gerais, defendeu nesta terça-feira (15/9) que os recursos destinados pelo estado ao pagamento da dívida com a União permaneçam em território mineiro e sejam convertidos em investimentos. Durante sabatina do Estado de Minas, em parceria com o Portal Uai e a TV Alterosa, Simões descartou uma nova renegociação do débito e propôs que gastos realizados em obras federais sejam abatidos das parcelas anuais.

“Eu não quero renegociar mais. (...) Vamos pagar o que está combinado, é com juros zero, mas eu quero do próximo presidente da República o compromisso de que o dinheiro vai ficar em aplicação, em investimento em Minas Gerais”, declarou.

A proposta, segundo Simões, permitiria que o governo estadual assumisse, por exemplo, investimentos em rodovias e ferrovias e descontasse da parcela da dívida apenas o valor efetivamente aplicado nas obras. O governador citou como exemplo a possibilidade de assumir intervenções nas BRs 381, 262, 040, 251, 116 e 367, além de ramais ferroviários.

“Deixa a gente fazer o investimento aqui e abate na parcela do ano. Eu assumo a duplicação da 381, da 262, da 040, eu assumo a 251 e a 116, eu assumo o recapeamento completo da 367, eu refaço os ramais ferroviários, como Varginha, Angra dos Reis, faço tudo isso com o dinheiro da parcela e só abate da parcela o que eu tiver gastado efetivamente”, disse.

Simões afirmou que uma proposta semelhante chegou a ser apresentada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB) durante as discussões sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), mas não foi incorporada ao texto. O governador disse que pretende retomar a discussão.

“Não é mais renegociar a dívida, é garantir que a gente não mande o dinheiro para Brasília e ele fique lá, porque ele está indo para outros lugares. Eu estou vendo obras sendo feitas em outros lugares, eu só não estou vendo ser feita em Minas Gerais, onde a gente está pagando uma dívida pesada”, declarou.

Críticas aos adversários

Questionado sobre propostas dos demais candidatos ao governo para a dívida estadual, Simões criticou Alexandre Kalil (PDT) e Cleitinho Azevedo (Republicanos) e ainda mencionou Patrus Ananias (PT).

Sobre Kalil, Simões contestou a proposta de negociar uma redução dos juros cobrados sobre a dívida. “Kalil não entendeu até agora o que está acontecendo, porque ele fala que vai negociar para diminuir o juro. A dívida tem juros zero. Como é que você diminui a dívida de juros zero?”, questionou.

Em relação a Cleitinho, o governador disse que o senador defende uma nova negociação sem explicar quais seriam os termos. “Cleitinho reclama do fato e fala que vai renegociar, mas não diz como”, declarou.

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Ao citar Patrus, Simões associou o Propag à esquerda e disse considerar coerente que o candidato não critique o programa. “O Patrus não fala no assunto e é bom que ele não fale mesmo, porque o Propag é uma construção da esquerda. (...) O mérito é todo deles, então ele não teria coragem de reclamar sobre isso”. A atribuição do mérito à esquerda foi feita em tom irônico pelo governador.

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