Alvo nesta quinta-feira (10/9) da operação da Polícia Federal (PF) que investiga suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares relacionados ao filme “Dark Horse”, a produtora Karina Gama afirmou que se sente ameaçada e que, caso seja presa, não teria informações para apresentar em uma eventual delação premiada.

As declarações foram dadas à coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, um dia antes do cumprimento de mandados de busca e apreensão. Karina relatou que vinha se sentindo pressionada e disse que pessoas que se apresentaram como oficiais de Justiça, mas sem mostrar documentos, chegaram à casa dela à noite para fazer perguntas.

Segundo a produtora, fornecedores de empresas ligadas a ela e familiares também teriam sido abordados. Karina é dona da produtora Go Up, responsável pela produção de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ela afirma que vem colaborando com as investigações e que entregou documentos solicitados pela PF.

A operação desta quinta-feira apura suspeitas de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares. Entre os alvos também está o deputado federal Mario Frias (PL), que destinou recursos a projeto desenvolvido pelo Instituto Conhecer Brasil, ligado a Karina.

A produtora disse à coluna que foi procurada por um pastor evangélico de Brasília, que, segundo ela, teria sugerido a celebração de um acordo de delação premiada como forma de reduzir eventuais penalidades. Karina, porém, afirma que não participou da captação de recursos para o filme nem manteve contato com financiadores. “Eu prestei um serviço, de produzir o ‘Dark Horse’ e fui remunerada”, declarou.

Repasses de Vorcaro

Além da apuração sobre emendas parlamentares, há outra frente de investigação relacionada ao financiamento do filme. A PF apura repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção.

Os recursos teriam sido solicitados a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, em novembro do ano passado, dias antes do banqueiro ser preso. Dois meses antes, o parlamentar já havia procurado o então dono do Banco Master para pedir dinheiro destinado ao filme sobre Jair Bolsonaro. Os valores foram transferidos para o fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Karina afirma que recebeu recursos do fundo para produzir o longa, mas diz que não tinha conhecimento sobre a origem do dinheiro. “Eu recebi recursos do fundo para produzir o filme, mas nunca soube quem eram seus financiadores”, afirmou.

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Emenda de Frias

A produtora também se manifestou sobre uma emenda de R$ 1 milhão destinada por Mario Frias a um projeto do Instituto Conhecer Brasil. Segundo Karina, os recursos que ainda não foram utilizados permanecem em caixa. O projeto, voltado ao letramento financeiro de jovens empreendedores, recebeu o dinheiro no fim de 2025 e, de acordo com ela, só começou a avançar neste ano em razão do encerramento do calendário letivo.

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