Lula ao regulamentar bets em 2024: "Se não der conta, eu acabo"
Dois anos antes de anunciar a proibição das apostas on-line no país, presidente já dizia que poderia encerrar o mercado caso a regulamentação não fosse suficiente
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Dois anos antes de anunciar a proibição das plataformas de apostas on-line no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia colocado o fim das bets como uma possibilidade caso a regulamentação do setor não apresentasse os resultados esperados. “Se não der conta, eu acabo”, afirmou em outubro de 2024.
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A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador, no programa Jornal da Bahia no Ar. Na ocasião, Lula afirmou que o governo havia considerado duas alternativas para lidar com o avanço das apostas: proibir as empresas ou regulamentar o funcionamento do mercado. A segunda opção acabou sendo adotada naquele momento.
“Nós tínhamos uma opção: ou acabava definitivamente ou a gente regulava. Nós optamos pela regulação e me parece que essa semana mais de duas mil bets já saíram de circulação”, disse o presidente.
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Na sequência, Lula deixou aberta a possibilidade de uma proibição caso as novas regras não fossem suficientes para controlar os efeitos das apostas sobre a população. “Nós vamos ver se a regulação dá conta. Se a regulação der conta, tá resolvido o problema. Se não der conta, eu acabo, perfeito, deve ficar bem claro. Ah, porque você não tem controle do povo mais humilde, de criança com celular na mão, sabe, fazendo a aposta. Nós não queremos isso”, afirmou na ocasião.
Medida provisória
A fala voltou ao centro do debate após o governo anunciar, nesta sexta-feira (25/9), a proibição das plataformas de apostas esportivas e de jogos virtuais on-line no país. A medida foi apresentada em São Paulo e formalizada por meio de uma medida provisória (MP). O governo também anunciou o envio ao Congresso de um projeto de lei para estabelecer punições relacionadas à exploração, operação e divulgação das bets.
Com a nova medida, o governo muda a estratégia adotada após a regulamentação do setor. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a decisão pela proibição ocorreu após a tentativa de controlar o mercado por meio das regras adotadas anteriormente.
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Bilhões destinados às apostas
Quando Lula fez a declaração, em 2024, dados do Banco Central já apontavam o volume de recursos destinados às apostas on-line. Uma estimativa divulgada naquele ano indicava que brasileiros movimentaram cerca de R$ 20 bilhões por mês em apostas nos primeiros oito meses de 2024.
Dados mais recentes passaram a dimensionar também o impacto líquido das bets sobre o orçamento das famílias. Levantamento divulgado em agosto pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) estimou que os brasileiros perderam R$ 62,5 bilhões para as plataformas em 2025.
O valor considera a diferença entre os recursos enviados às empresas e o dinheiro devolvido aos apostadores na forma de prêmios. O montante equivale a cerca de 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das famílias brasileiras.
Entre outubro de 2024 e março de 2026, a saída líquida média ficou estimada em R$ 4,7 bilhões por mês. No mesmo período, as empresas de apostas movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações realizadas por Pix.
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Os dados fazem parte da terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comsefaz em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), com base em informações do Banco Central e análises próprias. O estudo também aponta as apostas on-line como mais um fator de pressão sobre o orçamento das famílias e destaca o baixo efeito multiplicador desse tipo de gasto sobre a economia.