OCULTAÇÃO DE PATRIMÔNIO

Ministro diz que empresa que financiou 'Dark Horse' recebia dinheiro do crime organizado

O Fisco acusa a empresa de lavar dinheiro do crime organizado e ajudar na ocultação de patrimônio de organizações criminosas

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24/9) que os recursos enviados ao exterior pelo Grupo Entre para custear o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), podem ter origem em atividades de lavagem de dinheiro. 

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O grupo, do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, foi alvo de operação na Receita Federal nesta quinta. O Fisco acusa a empresa de lavar dinheiro do crime organizado e ajudar na ocultação de patrimônio de organizações criminosas.

"Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso", respondeu o ministro ao ser questionado se a verba enviada ao exterior para o filme poderia ser fruto de lavagem de dinheiro.

"Aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa. É um trabalho de investigação identificar o que saiu desse fundo, seja para as delações que estão sendo feitas aqui em Brasília, seja para as apurações do Supremo, seja para as apurações que estão feitas em São Paulo [...] mas tudo indica que sim", completou.

O empresário Antônio Carlos Feixo Júnior, conhecido como Mineiro, assinou delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PRG). Na delação, ele afirmou que era um dos responsáveis por fazer remessas financeiras e conseguir dinheiro vivo para Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Os recursos iriam para o fundo Havengate, administrado pelo advogado Paulo Calixto, aliado de Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal suspeita que os recursos tenham custeado não apenas o filme, mas também o filho do ex-presidente, que vive em autoexílio nos EUA.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a investigação da PF aponta que a Entre Investimentos e Participações, de Mineiro, funcionava como um braço operacional de Vorcaro, ajudando no repasse de recursos definidos pelo banqueiro.

O ministro André Mendonça homologou a delação de Antônio Carlos no último dia 9/9, abrindo caminho para que as informações apresentadas pelo empresário sejam usadas na Justiça.

Na entrevista coletiva desta quinta-feira, o ministro Dario Durigan descreveu o Grupo Entre como uma "entidade-chave da lavanderia do sistema financeiro nacional", e disse que o esquema criminoso investigado na terceira fase da Operação Carbono Oculto movimentou R$ 11,6 bilhões. 

"Essa empresa Entre recebe dinheiro do crime organizado, ajuda nessa estruturação, nessa ocultação de patrimônio, de forma que não só uma usina de etanol, mas também uma distribuidora de combustível passasse a atuar numa concorrência bastante desleal com o setor legalizado", disse.

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Questionado outra vez sobre os recursos enviados ao filme "Dark Horse", Durigan disse que a Fazenda não está tratando especificamente desse tema e que caberá às autoridades competentes esclarecer o caso.

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