LAVAGEM DE DINHEIRO

Carbono Oculto: delator do Master e operador de Vorcaro ganhou 570 vezes na loteria

Conhecido como 'Mineiro', empresário é acusado de usar os prêmios para lavar R$ 176 milhões para a máfia dos combustíveis

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O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro", foi um dos alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto. Dono da Entre Investimentos, ele é acusado de utilizar a empresa para lavar dinheiro para a chamada máfia dos combustíveis.

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Para legalizar o dinheiro ilícito, segundo os investigadores, Mineiro relatou ter ganhado 570 vezes na loteria entre 1º de janeiro de 2020 e 30 de junho de 2025. O valor total das premiações ultrapassa R$ 176 milhões.

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Um relatório do Ministério Público de São Paulo, obtido pelo jornal “O Globo”, aponta que o alto índice de movimentação de valores em lotéricas e os mais de 500 prêmios ganhos pelo investigado indicam o uso do sistema para reciclagem de dinheiro. Conforme o documento, a remessa de recursos ilícitos para apostas e o retorno do dinheiro se tornam uma etapa fundamental da lavagem de capitais.

A operação é conduzida pela Receita Federal, Gaeco, secretarias da Fazenda e Procuradoria-Geral de São Paulo, além das polícias Militar e Civil, com apoio dos Gaecos de outros cinco estados. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de 13 pessoas e 19 empresas.

A investigação apura a participação de operadores do mercado financeiro na criação de estruturas para ocultar os donos de uma usina sucroalcooleira e viabilizar a compra da distribuidora Tobras, conhecida como Terrana. Os envolvidos teriam usado fundos de investimento, holdings e empresas de fachada para dificultar a identificação dos beneficiários.

Além de Mineiro, a operação mirou endereços ligados a Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial, e seus irmãos, André e Bruno.

Ligação com filme sobre Bolsonaro

Mineiro também é citado pela Polícia Federal em uma investigação sobre o financiamento do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um relatório do Coaf, citado pela PF ao STF, descreve o empresário como "pioneiro nas Bahamas" por suas estruturas offshore no país caribenho.

Em acordo de colaboração premiada, Freixo confirmou ter feito sete remessas que somaram US$ 12,3 milhões em 2025 para o fundo Havengate, nos EUA. O fundo, administrado por Paulo Calixto, próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, foi usado para financiar o filme. Segundo o delator, os pagamentos ocorreram a pedido de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Em nota, o Banco Genial informou que Humberto Tupinambá não integra a diretoria nem é sócio da instituição desde maio de 2026. A instituição afirma ter fornecido todas as informações sobre o Fundo Radford ao Gaeco e realizado as comunicações necessárias ao Coaf.

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O banco declarou que, após tomar conhecimento dos fatos, adotou medidas de governança, como uma inspetoria interna, a revisão de processos de crédito e o afastamento do então diretor. O Genial acrescentou que renunciou à administração do Fundo Radford e permanece à disposição das autoridades.

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