Terras raras: plano com marca de Flávio Bolsonaro prevê parceria com EUA
Documento detalha aliança com Washington para minerais críticos; autor do texto nega relação com campanha do senador
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Um documento elaborado por André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro e aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL), detalha uma proposta de parceria entre Brasil e Estados Unidos para exploração e processamento de minerais críticos e terras raras em um eventual governo do presidenciável. O material foi revelado pelo jornalista Guilherme Amado, do Amado Mundo.
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Produzida em inglês e intitulada “Prosperity Partnership” (“Parceria para a Prosperidade”), a apresentação tem 22 páginas e traz na capa a inscrição “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign”. Nas demais páginas, aparece uma logomarca com o nome do senador acompanhada do slogan que dá título ao documento.
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Conforme a apuração, os metadados do arquivo identificam André Marinho como autor. Ele confirmou ter elaborado o material, mas negou que o estudo tenha relação com a campanha de Flávio Bolsonaro ou que tenha sido apresentado a autoridades dos Estados Unidos. O documento é datado de 19 de março deste ano, cerca de duas semanas antes de Marinho viajar aos Estados Unidos e se reunir com o vice-presidente americano, J.D. Vance. Em maio, Flávio também esteve em Washington, onde se encontrou com Vance e com o presidente Donald Trump.
A apresentação descreve como um eventual governo de Flávio poderia aproximar Brasil e Estados Unidos no setor mineral. O objetivo declarado seria transformar o país no “principal fornecedor e polo de processamento de minerais críticos alinhado ao Ocidente no Hemisfério Ocidental”, ao mesmo tempo em que buscaria ampliar a industrialização, os empregos e a autonomia estratégica brasileira.
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Alinhamento com os EUA
O plano apresenta três princípios para o que chama de “Flávio Bolsonaro Way”. Segundo o documento, o Brasil deixaria de atuar apenas como exportador de matéria-prima, evitaria uma dependência estrutural das cadeias chinesas de processamento e se alinharia aos Estados Unidos na construção de um sistema paralelo de abastecimento.
A apresentação contrapõe essa proposta à política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), classificado no material como “pró-China” e marcado por uma “ambiguidade geopolítica deliberada”. Também atribui à atual gestão avanço regulatório lento no setor de minerais críticos, industrialização incerta e atração de capital de forma reativa.
Entre os riscos apontados no documento para uma eventual continuidade de Lula no Planalto estão a possibilidade de o Brasil se tornar fornecedor de matérias-primas para a China, perder oportunidades industriais e deixar passar uma janela de realinhamento das cadeias de suprimentos dos Estados Unidos.
A alternativa apresentada pelo documento seria um governo Flávio baseado em “claro alinhamento ocidental”, aceleração regulatória, integração entre política industrial e mineração e atração de capital. “A diferença é simples: Lula hesita, Bolsonaro executa”, diz um trecho da apresentação.
Para os Estados Unidos, o material projeta redução da dependência da China e maior segurança no fornecimento de minerais destinados, entre outros setores, à infraestrutura de inteligência artificial, sistemas de defesa, transição energética e mobilidade elétrica.
Plano prevê até US$ 100 bilhões
A chamada “proposta estratégica” é dividida em seis pilares. Entre eles estão mudanças na legislação minerária e no licenciamento, demanda pelos minerais brasileiros apoiada pelos Estados Unidos, processamento dentro do Brasil, combinação de capital americano com ativos brasileiros e inserção do país em um bloco de fornecedores alinhados a Washington. O plano também propõe que os minerais críticos sejam tratados como ativos de segurança nacional.
Em um horizonte de dez anos, a apresentação estima potencial de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões em investimentos em mineração, refino e processamento. Também projeta a criação de 500 mil a 1 milhão de empregos e um impacto de 1,5 a 2,5 pontos percentuais no Produto Interno Bruto (PIB).
O que diz André Marinho
André Marinho negou qualquer participação da campanha de Flávio na elaboração do material. Segundo ele, o estudo foi produzido por iniciativa própria e permanecia armazenado em seu dispositivo.
“Não enviei nem apresentei esse conteúdo a nenhuma autoridade americana, nem tive reunião ou encontro para tratar desse assunto. Minha viagem aos Estados Unidos também não teve qualquer relação com esse tema”, disse ao Amado Mundo. Marinho acrescentou que seu pai não teve acesso ao estudo e que não houve “qualquer pedido, orientação ou iniciativa nesse sentido por parte da campanha de Flávio Bolsonaro”.
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“Esse estudo foi uma iniciativa exclusivamente minha e estava armazenado em meu dispositivo. Causa estranheza que esteja circulando sem meu conhecimento e sem minha autorização. Não enviei nem apresentei esse conteúdo a nenhuma autoridade americana, nem tive reunião ou encontro para tratar desse assunto. Minha viagem aos Estados Unidos também não teve qualquer relação com esse tema. Meu pai nunca teve acesso ao estudo e também não o recebeu. Da mesma forma, não houve qualquer pedido, orientação ou iniciativa nesse sentido por parte da campanha de Flávio Bolsonaro. Jamais tratei ou presenciei qualquer tratativa sobre recursos estrangeiros para campanhas eleitorais no Brasil”.