O ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte e candidato ao governo de Minas Gerais Gabriel Azevedo (MDB) comentou sobre o afastamento entre o também candidato Cleitinho (Republicanos) e o candidato ao Senado Marcelo Aro (PP), criticou o adversário Patrus Ananias (PT) e afirmou que sua candidatura não foi feita para ser “palanque de ninguém em Brasília”. Doutorando em Direito Ambiental, ele também defendeu investimentos em ferrovias e o planejamento de áreas de preservação natural após o fim da atividade mineradora. As afirmações foram feitas durante sabatina promovida pela Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil), na manhã desta quarta-feira (19/8).

Gabriel afirmou que o governador precisa atuar politicamente em Brasília em defesa dos interesses de Minas Gerais, mas sem transformar o cargo em instrumento de disputa com o governo federal. “Governador de Minas não é para usar mídia social para postar vídeo contra o presidente”, disse. 

O candidato defendeu a criação de uma mesa permanente de negociação com a bancada federal, representantes do governo, municípios e setor produtivo para discutir pautas como a modernização do Código de Mineração e mudanças na legislação de licenciamento ambiental.

“Eu quero o primeiro compromisso criar uma mesa permanente. Quero convidar a AMIG pra estar nessa mesa, a bancada federal, o representante do governo, os municípios, o setor produtivo. Não ir a Brasília cada um com uma pauta”, disse.

Sinalizações contra Marcelo Aro

A fala de Gabriel também fez menção ao também candidato ao governo, o senador Cleitinho Azevedo e disse ter “ficado feliz” com o rompimento dele com o candidato ao Senado, o ex-secretário de Estado Marcelo Aro. Ainda nesta semana, Luís Eduardo Falcão, candidato a vice na chapa republicana com Cleitinho, sinalizou afastamento de Aro ao afirmar que sua coligação entre os partidos Republicanos e Podemos “não tem candidato a senador”. 

“Eu tenho conversado com o Cleitinho e, aliás, fiquei muito feliz dele ter escutado o conselho que eu dei para ele no debate. Falei, cuidado, Cleitinho, cuidado. Não fique aí andando com um político mineiro cujo sobrenome rima com Vorcaro”, afirmou. 

Mineração e meio ambiente

O candidato afirmou que, caso eleito, pretende estabelecer regras mais claras para o licenciamento ambiental e ampliar o uso de tecnologia na fiscalização. Segundo ele, drones, satélites e equipamentos devem ser utilizados para aumentar a capacidade de fiscalização do estado.

Ele também defendeu que o licenciamento seja acompanhado de um planejamento sobre o futuro das áreas mineradas. Ele afirmou que, antes mesmo da exploração, deve estar definido o que acontecerá com o território após o encerramento da atividade.

“Não dá pro prefeito dizer: ‘não, nós vamos saber’. Licenciamento tem que ser acompanhado de um planejamento. Ele tem que ter uma clareza do que vai ser a nossa paisagem, sobre o que vai ser o nosso território”, afirmou.

Ele citou a experiência da Austrália Ocidental, onde o programa Royalties for Regions direciona recursos da mineração para o desenvolvimento dos municípios, como exemplo de planejamento para o período após o fim da exploração. Azevedo defendeu que o licenciamento já estabeleça o destino das áreas mineradas, incluindo a possibilidade de transformá-las em espaços de preservação natural ou destinados a outras atividades. 

“Licenciamento tem que ser acompanhado de um planejamento. Ele tem que ter uma clareza do que vai ser a nossa paisagem, sobre o que vai ser o nosso território”, disse.

O ex-vereador também defendeu investimentos em infraestrutura, incluindo a ampliação da malha ferroviária, como forma de melhorar o transporte e a logística ligados à atividade mineral. A proposta, segundo ele, deve estar associada a um planejamento de longo prazo para os municípios mineradores. 

Desenvolvimento dos municípios

O candidato ao Palácio Tiradentes afirmou que o estado precisa garantir que a riqueza gerada pela mineração deixe um legado para as cidades. Para isso, defendeu uma agência independente para acompanhar a aplicação dos recursos e avaliar os resultados dos investimentos.

“Não dá só para ficar compensando e para esse dinheiro ir para a caixa, para utilizar para algumas questões que não vão começar legado e quando a mineração terminar o município fica de mãos abanando”, afirmou.

O candidato também defendeu a valorização dos servidores responsáveis pela fiscalização ambiental e o uso de tecnologia para aumentar a arrecadação e combater irregularidades no setor.

Sabatinas

Gabriel participou de uma série de sabatinas promovidas pela AMIG Brasil, no evento Mineração em Debate, no Centro de Convenções do Hotel Mercure, no Bairro Lourdes, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, que contou com a participação de candidatos ao governo de Minas Gerais e a cadeiras no Senado.

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Além de Gabriel, o evento também conta com a participação dos candidatos ao Palácio Tiradentes Flávio Roscoe (PL) e Patrus Ananias (PT). Os demais concorrentes não puderam participar por conflitos de agenda, inclusive Alexandre Kalil (PDT), que se recupera de um transplante de córnea. Da corrida ao Senado, participam do evento Carlos Viana (PSD), Áurea Carolina (PSOL), Carlin Moura (Avante), Domingos Sávio (PL), Marília Campos (PT) e Marco Antônio Costa (Novo), conhecido como Superman.

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