Aro critica Propag e defende novo pacto federativo
Candidato ao Senado participou de sabatina na Faculdade Milton Campos, em Nova Lima, nesta terça-feira (18/8)
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O ex-secretário do Estado e candidato ao Senado por Minas Gerais Marcelo Aro (PP) criticou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) como uma "injustiça histórica" contra o estado e afirmou que, caso eleito, pretende ampliar a discussão de um novo pacto federativo, de modo a impedir que Minas fique "refém da União", além de representar pessoas com doenças raras e ter uma atuação "municipalista".
As afirmações foram feitas nesta terça-feira (18/8), quinto dia de sabatinas da Semana Eleitoral da Faculdade de Direito Milton Campos, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na última semana, o evento contou com a participação dos candidatos ao Palácio de Tiradentes Mateus Simões (PSD), que concorre à reeleição, Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB), e com o também candidato ao Senado Marco Antônio Costa (Novo). O candidato do PL ao governo, Flávio Roscoe, tem presença confirmada na quarta-feira (19/8).
Na sabatina, ele afirmou que a dívida de R$ 180 bilhões do estado deve ser negociada com o presidente da República, com um acordo de que todo o dinheiro enviado mensalmente à União seja reinvestido exclusivamente em Minas Gerais "para melhorar as BRs, para dar uma ferrovia de qualidade, para melhorar os nossos centros de atendimento de saúde", oficializado a partir de uma nova lei.
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Aro argumentou que "é um absurdo" que a maior parte dos impostos pagos pela população seja direcionada ao governo federal, enquanto 20% deles vá ao estado e outros 10% ao município. Para a mudança, ele sugeriu maior implantação de emendas no orçamento. "Quero trazer o dinheiro para cá", afirmou.
No evento, ele ainda defendeu sua trajetória na política e afirmou que está "preparado para ser senador da República e defender os interesses de Minas Gerais". Na visão dele, faltam parlamentares no Senado que defendam seus próprios valores, em vez de irem na ideia da maioria.
Críticas ao poder centralizador em Brasília
Parte da argumentação de Aro se deu na crítica aos poderes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, não se pode concordar "que o ministro do STF tenha um poder absoluto" e a discussão sobre processos de impeachment é necessária.
"É o remédio mais amargo que nós podemos fazer. Talvez nem precisava ministrar o remédio. Só de levar o paciente lá para procurar sala e falar que ia dar o remédio, talvez resolvesse", afirmou. Ele defendeu que o afastamento seria necessário caso um ministro mude de postura e "continue avançando sobre um poder que não é dele".
Em outra sabatina na faculdade, o candidato ao Senado Marco Antônio Costa também defendeu impeachment de ministros da Suprema Corte, em especial Gilmar Mendes, a quem mencionou em um boné "#ForaGilmar".
Aro argumentou que parlamentares do Congresso Nacional assistem ao STF invadir competências deles e disse que quer combater a atuação monocrática, o que ele entendeu como "absurdo completo". "Decisões monocráticas anulando decisões da maioria do Congresso Nacional, eu nunca vi um trem desse. Tem projeto lá com uma aprovação de 380 deputados federais, de 60 senadores e um ministro de maneira monocrática vai lá e fala: 'inconstitucional'. Cara, pô, então, no mínimo leva para o colegiado, né?", comentou.
Racha com Simões
Na última semana, um racha entre o ex-secretário do governo Romeu Zema (Novo) e o sucessor dele, Mateus Simões, estremeceu a federação União-PP. Antes aliado político, Aro expôs problemas de convivência com Simões, chegando a defini-lo como "carisma de geladeira”. Antes disso, Simões afirmou que Aro havia traído o governo depois de "parasitá-lo", logo após o ex-secretário avisá-lo que estava articulando uma candidatura ao governo de Minas.
Aro era um dos nomes da federação União-PP ao Senado na chapa de Simões, mas rompeu com ele ao almejar a cadeira de governador. Porém, o candidato do PSD reverteu as articulações de Aro e conquistou novamente o apoio da federação, que já estava estabelecido desde o início do ano. Agora, mesmo tendo recebido a promessa de apoio na corrida ao Senado, o ex-secretário não tem mais o apoio de Simões, que estará ao lado de Carlos Viana (PSD) e Marco Antônio Costa.
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Em conversa com o Estado de Minas, Aro disse acreditar que o distanciamento entre os dois "foi uma divergência" e não atrapalha a corrida eleitoral "porque estamos fazendo o certo e, quando a gente faz o certo, a gente não erra". Ele chamou o governador de "um cara correto, honesto, trabalhador e que entende de máquina pública como ninguém", mas garantiu que "a razão e a verdade estão do seu lado".