Chapas 'puro-sangue' ampliam divisão da direita contra Lula
Pré-candidaturas presidenciais de direita recorrem aos próprios quadros para a escolha do vice, o que confirma dificuldades no fechamento de alianças
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O encerramento do período das convenções partidárias para a confirmação das pré-candidaturas presidenciais e a definição dos vices mostra que a direita vai dividida, no primeiro turno, para a disputa no voto contra Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta a reeleição. Seus representantes fecharam chapas "puro-sangue", o que deixa claro a dificuldade para a concretização de alianças entre os postulantes desse espectro ideológico ao Palácio do Planalto. Expõe, também, que os esforços do PL e de Flávio Bolsonaro para aglutinar os direitistas e o Centrão em torno dele também naufragou, pelo menos na fase inicial do pleito. Para o segundo turno, a história pode mudar.
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Pré-candidato do PL, Flávio anunciou nessa quarta feira (5/8), o deputado e companheiro de partido Alfredo Gaspar (AL) como vice, depois de articulações infrutíferas para trazer a federação União Progressistas, que congrega PP e União Brasil, o Podemos e o Republicanos para sua órbita. A ideia era obter nessas legendas uma candidatura feminina para vice — foram cogitadas a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a economista Daniella Marques (Republicanos) e a deputada Renata Abreu (Podemos-SP) —, mas as negociações deram em nada. A solução caseira foi o que restou.
Também ontem, o pré-candidato do Avante, Augusto Cury, fechou com o ex-deputado mineiro Julio Delgado a posição de vice na chapa. Em 30 de julho, porém, a situação estava incerta: Cury se reuniu com outro pré-candidato, Romeu Zema (Novo), para conversarem sobre a hipótese de juntarem forças. O ex-governador de Minas Gerais, porém, manteve firme a postulação e, na terça-feira, anunciou o senador Eduardo Girão (CE) como companheiro de chapa.
A dificuldade de a direita ampliar coligações deu os prmeiros sinais quando o pré-candidato do PSD, Ronaldo Caiado, fechou o presidente do próprio partido, Gilberto Kassab, como vice. O ex-governador de Goiás insinuou-se seguidamente para Zema e tentou convencê-lo a tornar-se seu vice. Não funcionou.
Correndo por fora e com críticas a Flávio e ao bolsonarismo — além das que sempre fez a Lula e ao governo —, Renan Santos (Missão) fechou o tenente-coronel da reserva da Brigada Militar gaúcha Aroldo Medina na vice. Companheiros de partido, o pré-candidato à Presidência admite que o parceiro de chapa é um "ex-bolsonarista arrependido" sempre que cobrado a explicar o fato de que Aroldo frequentava o acampamento golpista montado em frente ao Quartel-General do Exército, no Setor Militar Urbano de Brasília.
Ainda na direita, o Democracia Cristã é mais um que vem com chapa "puro-sangue": Clariana Barão é a pré-candidata à Presidência com Fabiana Torquato de vice.
Pela esquerda, também tem chapa "puro-sangue": a pré-candidata Samara Martins (Unidade Popular) vai para a disputa ao lado de Raquel Brício. Principal nome do espectro, Lula fechou com o PSB a indicação de Geraldo Alckmin para vice, repetindo a dobradinha de 2022 — o presidente tem ainda apoio de PDT, PCdoB, PV e PSol.
Convencimento
Na avaliação de Gustavo Ribeiro, mestre em ciência política pela Universidade Sorbonne, de Paris, a dificuldade da direita em formar alianças mostra que o Centrão não está convencido de que Flávio ganhará. Ele lembra que as legendas que formam esse grupo no Congresso enxergam o processo eleitoral de forma pragmática, independentemente de ideologias. "Ninguém quer pagar antecipadamente por um ativo cuja cotação ainda considera incerta. Neutralidade, no vocabulário do Centrão, é opção de compra. Eles preservam o direito de aderir ao vencedor em novembro, sem ter gasto nada em agosto", explica.
De cima do muro, o Centrão fica a cavaleiro para que as legendas que o compõem liberarem diretórios estaduais para alianças locais que sejam vantajosas. "Esses partidos (do Centrão) têm presença importante no Nordeste, região onde Lula segue com vantagem confortável. Amarrar-se nacionalmente a Flávio significaria contaminar candidaturas estaduais em estados onde o antibolsonarismo é competitivo, e eleger deputado é o negócio principal dessas legendas", observa.
Na avaliação de Ribeiro, a chapa "puro-sangue" impõe uma dificuldade adicional aos candidatos. "Flávio perde palanques estaduais, que é o que efetivamente move voto no interior. E perde a capilaridade de diretórios municipais em campanha, o ativo que dinheiro nenhum compra em 60 dias", adverte.
O PT, partido do presidente, terá candidaturas próprias ao governo de 11 estados e ao Distrito Federal. A maior parte delas está localizada no Nordeste, com nomes em cinco dos nove estados da região. Enquanto no Sudeste e no Centro-Oeste há três candidatos do PT em cada, no Norte há apenas um — em Rondônia. No Sul, não há nomes do PT na disputa no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Lula dependerá de outros partidos para construir palanques nos demais estados. Em 15 unidades da Federação, há alianças com o PSB, MDB, União Brasil, PSD, PP, PDT e PV.
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Já o PL de Flávio terá candidaturas próprias em 13 estados. No Norte, no Nordeste e no Sul, há três com nome do partido para governador; no Centro-Oeste e no Sudeste, dois. Assim, em 10 estados, a legenda conta com o apoio de outras coligadas para construir palanques — une-se a Podemos, União Brasil, PSD, PP, Republicanos e PSDB.