Uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) na casa do publicitário Thiago Miranda, ligado ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na última quinta-feira (9/7), apreendeu um contrato para a produção de um documentário sobre a instituição financeira. O documento teria sido assinado por Vorcaro em 31 de março deste ano, enquanto ele já estava preso na sede da PF, em Brasília.

Daniel Vorcaro foi preso preventivamente em 4 de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes bancárias e possíveis crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

Conforme informações da CNN Brasil, o contrato tem firma reconhecida em cartório entre o ex-banqueiro e o publicitário e previa a produção do “Caso Banco Master”, como assim foi batizado o documentário, que seria feito em formato de longa ou série, em até seis meses. De acordo com declaração ao Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores entenderam que a apreensão do suposto contrato “demanda maior aprofundamento instrutório com vistas à sua adequada compreensão”.

Apurações da PF afirmam que a produção cinematográfica seria uma colaboração proativa entre Miranda e Vorcaro, que teria assumido o compromisso de auxiliar na produção com o compartilhamento de informações, entrevistas e documentos exclusivos para a elaboração da narrativa. Com isso, o “Caso Banco Master” abordaria gastos, personagens e acontecimentos relacionados à instituição financeira liquidada pelo Banco Central.

A operação de busca também resultou na apreensão do passaporte de Miranda e na proibição de que saia do Brasil, em meio a suspeitas de tentativa de fuga com uma passagem aos EUA marcada para a segunda-feira (13), somada à troca de aparelho telefônico e fechamento de empresa de publicidade a menos de uma semana antes da operação. 

À CNN, a PF afirmou que a análise dos dados existentes no telefone apreendido pode “delimitar a extensão das vantagens indevidas transacionadas, seja mediante favores, pagamento de despesas no exterior, transações bancárias ou mesmo eventual entrega de valores em espécie”.

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Em nota, a defesa do publicitário afirmou que Miranda “adotou postura estritamente colaborativa, pautada pela boa-fé e pela mais absoluta lealdade processual, comparecendo espontaneamente a todos os atos para os quais foi convocado e prestando os esclarecimentos que lhe foram solicitados". A equipe de advogados também negou qualquer irregularidade e afirmou estar confiante que, ao final da instrução, as suspeitas atribuídas ao publicitário sejam provadas improcedentes.

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