O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmou, nesta terça-feira (2/6), que manterá as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) mesmo após ser notificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em um caso de suposta calúnia contra o ministro Gilmar Mendes.

A declaração foi dada durante coletiva de imprensa na Megaleite, em Belo Horizonte, horas depois de Zema publicar um novo episódio da série “Os Intocáveis”, produção divulgada nas redes sociais em que satiriza ministros do STF por meio de fantoches.

“Eu continuo com as mesmas críticas. Nós temos hoje uma Suprema Corte que todo brasileiro questiona, onde nós sabemos que o cargo está sendo utilizado para enriquecimento de alguns ministros e isso precisa ser apurado, precisa ser investigado”, afirmou.

Durante a coletiva, Zema também criticou a realização do Fórum Jurídico de Lisboa, evento promovido anualmente em Portugal pelo ministro Gilmar Mendes e conhecido nos bastidores políticos como “Gilmarpalooza”.

“Está aí sendo realizado pelo ministro, dentro de um contexto que eu considero de negócio pessoal dele, um seminário em Portugal levando brasileiros, utilizando do cargo para poder ter patrocinadores nesse evento e deixando de lado o Brasil”, declarou.

O ex-governador afirmou ainda que o Senado precisa atuar de forma mais rigorosa em relação ao Judiciário. “Tenho absoluta certeza que, com um novo Senado, com gente mais corajosa e não com gente vendida, como nós temos lá hoje, esses processos vão caminhar”, disse.

Zema também defendeu punições mais severas para crimes cometidos por agentes públicos e afirmou que pretende propor uma “lei de traição à pátria” para endurecer penas aplicadas a servidores e autoridades condenados por irregularidades.

“É inadmissível que alguém no setor público, que deveria estar prestando serviço num país pobre, esteja usando esse cargo em benefício próprio”, afirmou.

Ao fim da fala, o pré-candidato voltou a associar o STF e integrantes do governo federal ao termo “intocáveis”. “O Brasil precisa disso e não desses intocáveis em Brasília. E vou continuar criticando aquilo que está errado”, declarou.

Zema foi notificado pelo STJ após denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em um caso envolvendo vídeos publicados nas redes sociais em abril deste ano. Na produção, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli aparecem retratados de forma irônica por meio de fantoches em referência ao caso Master.

O ministro Gilmar Mendes pediu ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news no STF, a inclusão de Zema na investigação por calúnia. Posteriormente, a PGR entendeu que o caso deveria tramitar no STJ por envolver suposto crime relacionado ao exercício do cargo de governador.

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Mesmo após a denúncia, Zema manteve a publicação de novos episódios da série “Os Intocáveis” nas redes sociais.

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