O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) se comparou com um personagem bíblico para justificar a escolha de se candidatar à Presidência da República e justificar as acusações que vem recebendo. Levantamentos recentes o ligam ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e um orçamento milionário para o financiamento de filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em vídeo publicado nas redes sociais, o pré-candidato afirmou que, “assim como Eliseu recebeu o manto de Elias”, ele recebeu o legado do pai. “[Eliseu] Nunca escolheu aquilo, nunca pediu nada, mas recebe o manto, e é isso que eu acredito que está acontecendo. Meu pai passou esse manto para mim, a experiência dele do que já aconteceu com ele, a gente absorve, aprende e faz duas vezes melhor, se possível”, disse na gravação.

No material, o senador argumentou que o pai já foi acusado “de tanta coisa” por um sistema que o perseguia, como de ter envolvimento na morte da vereadora carioca Marielle Franco (Psol), mas que ele “sempre estava certo” e apenas “defendia o país”.

Jair é está inelegível por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação e foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

O “filho 01” de Jair também argumentou que “não tem vaidade” de ser presidente, mas que sua candidatura se trata de “uma questão de sobrevivência do país”.

Na visão de Flávio, assim como o pai foi acusado de ter feito coisas que, para Flávio, não aconteceram, o mesmo acontece com ele: “Eu estou passando pelo mesmo processo agora”, disse.

O vídeo foi divulgado dias depois que o portal de notícias The Intercept Brasil divulgou mensagens e áudios do senador cobrando uma transferência de R$ 134 milhões de Vorcaro, banqueiro investigado por fraudes financeiras, para financiar a produção de “Dark Horse”, filme biográfico do ex-presidente com orçamento além de produções hollywoodianas.

Após a divulgação das mensagens, Flávio Bolsonaro confirmou ter recebido o dinheiro de Vorcaro, mas negou ter sido beneficiado diretamente com os valores milionários. Segundo ele, “o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, sem envolvimento de dinheiro público ou utilização da Lei Rouanet. A produtora do filme, porém, negou que recebeu o dinheiro.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Já o deputado federal Mário Frias (PL), que também é produtor-executivo do filme, afirmou que “não há um centavo do Master” no filme e que, se houvesse, “não haveria problema” porque “trata-se de uma relação estritamente privada entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido”. Posteriormente, ele voltou atrás e disse que Vorcaro ou o Master não são signatários de relacionamento jurídico, e que o contrato é firmado com a Entre Investimentos e Participações. No entanto, a Entre mantinha parceria com outros empreendimentos ligados a Vorcaro.

compartilhe