A investigação da Polícia Federal (PF) que resultou em novas medidas da Operação Compliance Zero aponta que parte da estrutura atribuída ao núcleo hacker ligado ao empresário Daniel Vorcaro operava a partir de Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A cidade é citada na decisão do ministro André Mendonça como local de residência de David Henrique Alves, apontado pela Polícia Federal como líder do núcleo “Os Meninos”, braço responsável por ataques cibernéticos, invasões telemáticas e monitoramento digital ilegal.

Segundo a decisão, David morava em um condomínio em Lagoa Santa e teria deixado o imóvel às pressas no mesmo dia em que a terceira fase da operação foi deflagrada, em 4 de março de 2026. A PF afirma que ele telefonou para a corretora responsável pela locação do imóvel pedindo a devolução urgente da casa, sob a justificativa de que precisaria auxiliar um parente em São Paulo.

O porteiro do condomínio relatou aos investigadores que David deixou o local de maneira acelerada, “cantando pneus”, comportamento que, segundo a PF, reforçou a suspeita de tentativa de fuga e ocultação de provas. Ainda de acordo com a investigação, no dia seguinte à saída do investigado, pessoas ligadas ao núcleo hacker retornaram ao imóvel para retirar móveis, equipamentos eletrônicos e outros materiais.

A decisão cita que Victor Lima Sedlmaier, apontado como auxiliar técnico do grupo, entrou na residência já com autorização prévia e posteriormente voltou acompanhado de caminhão de mudança para esvaziar o imóvel. Conforme a PF, a movimentação ocorreu logo após a deflagração da operação e é interpretada como possível tentativa de remoção de elementos de interesse investigativo.

Outro nome ligado aos fatos em Lagoa Santa é o de Katherine Venâncio Teles, investigada por supostamente auxiliar David Henrique Alves na retirada de materiais e na tentativa de despistar a polícia durante a fuga. Ela também é citada na abordagem feita pela Polícia Rodoviária Federal na noite de 4 de março.

Na ocasião, David foi interceptado conduzindo uma Range Rover pertencente a Felipe Mourão - o “Sicário” de Daniel Vorcaro. Dentro do veículo, segundo a investigação, havia computadores, notebooks, caixas e malas. Para a PF, o contexto indica possível transporte de equipamentos relacionados às atividades do núcleo hacker e tentativa de ocultação ou destruição de provas digitais.

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A investigação também aponta que o grupo utilizava estruturas empresariais para operacionalizar as atividades do núcleo digital. David Henrique Alves é apontado como proprietário da empresa BIPE Software Brasil Ltda., citada pela PF como possível canal de recebimento dos pagamentos destinados à manutenção do braço cibernético da organização.

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