Logo após o vazamento de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apoiadores do parlamentar colocaram em prática uma estratégia para tentar evitar que a pré-candidatura do filho de Bolsonaro à Presidência seja desidratada.
Diversos aliados do campo bolsonarista usaram as redes para se posicionar e defender a integridade de Flávio, minimizando a relação com Vorcaro. As publicações repetem argumentos e criticam a imprensa por supostamente fazer uma “tempestade em copo d’água”.
A estratégia tem como base retratar a relação como uma negociação por um investimento privado pontual, afastando a ideia de “corrupção”, frequentemente associada ao desvio de recursos públicos. Também é destacada uma suposta imagem de Vorcaro como um “banqueiro respeitado” até o Caso Master estourar.
A crise começou após o site Intercept Brasil revelar diversas mensagens trocadas entre o pré-candidato e Daniel Vorcaro, mostrando proximidade entre os dois, que se referiam um ao outro como “irmão” e prometiam cumplicidade. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”, escreveu Flávio, um dia antes do banqueiro ser preso.
A estratégia bolsonarista
Na manhã desta quarta-feira (13/5), antes da publicação da matéria, um repórter do Intercept Brasil questionou Flávio presencialmente em Brasília (DF), após ele se reunir com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Primeiro, o senador disse que era “mentira”. Depois, ao ir embora, chamou o repórter de “militante” e se defendeu, afirmando que o dinheiro de Vorcaro se tratava de um investimento privado.
A fala parece ter sido a base da defesa bolsonarista à crise: afirmar que o valor seria apenas um investimento privado pontual, ao mesmo tempo em que critica o presidente Lula e o PT por supostamente se aproveitarem de dinheiro público para a cultura, frequentemente citando a “Lei Rouanet”.
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“Quando a iniciativa privada investe em um filme, ela recebe o lucro desse investimento de volta. O que existe de errado nesse tipo de operação? Absolutamente nada!”, afirmou o deputado estadual mineiro Cristiano Caporezzo (PL).
“Diferente da esquerda, que coloca você contribuinte para pagar a conta, o nosso lado busca investimentos privados”, disse o também deputado estadual mineiro Bruno Engler (PL).
Tal argumentação é calculada para deixar de lado a relação entre Flávio e Vorcaro, que vai além do filme, como mostram as mensagens. Há conversas sobre a marcação de encontros que não mencionam Dark Horse e até o senador oferecendo auxílio ao banqueiro durante uma viagem a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos: “Tá precisando de algo lá? Peço para ele [Eduardo Bolsonaro] te encontrar”.
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Vorcaro, banqueiro respeitado
momento das conversas, apesar de já ser acusado de fraudes, inclusive no Banco Master. A instituição financeira enfrentava desconfiança no mercado por oferecer elevados retornos por meio de seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs).
“Em 2024, Vorcaro era apenas um banqueiro extremamente respeitado no Brasil”, declarou o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), em vídeo em defesa de Flávio.
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Rony Gabriel (PL), vereador de Erechim (RS) e influenciador com mais de 2 milhões de seguidores, seguiu na mesma linha: “Até aquele momento, [Flávio] era alguém buscando investimento para um filme com uma empresa privada. Antes disso, o Vorcaro ia à Igreja, como uma pessoa comum. Deixava até o seu dízimo, e isso não significa que o pastor era corrupto”.
