SENADO

Traição e bastidores: o plano da direita para derrubar Alcolumbre

Aproximação do presidente do Senado com o presidenciável Flávio Bolsonaro gera desconfiança entre os bolsonaristas

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Dois dos líderes da oposição no Senado se movimentam nos bastidores para disputar a presidência da Casa contra Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) em 2027, apesar dos gestos de aproximação do senador com a direita. Ele articulou derrotas do governo e bloqueou projetos que eram apostas do presidente Lula (PT) para recuperar sua popularidade antes da campanha eleitoral. 

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Alcolumbre, até então um dos principais aliados do petista, tem atuado para restabelecer um canal de diálogo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com a direita, com o intuito de se reeleger ao comando do Senado na próxima legislatura caso o filho do ex-presidente vença a eleição contra Lula (PT).

Opositores dizem ver com desconfiança essa aproximação. Afirmam que ele já traiu Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e, portanto, o ideal é eleger um de seus próprios integrantes para comandar a Casa. Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) buscam apoio dos colegas para a disputa.

O plano só deve mudar, afirmam senadores de direita, se o grupo não conseguir eleger parlamentares em número suficiente para formar a maioria do Senado em 2027, o que poderia forçar uma nova aliança com Alcolumbre, como já ocorreu no ano passado.

A série de derrotas imposta ao governo por Alcolumbre foi lida por petistas e bolsonaristas como um movimento antecipado na corrida pela reeleição em 2027 e também um recado do senador, que mostrou que detém o controle da Casa para ajudar tanto o governo como a oposição.

Governistas também afirmam que a aliança tem como objetivo enterrar as investigações do Banco Master.

O presidente do Senado fez três gestos à direita na semana passada. Atuou pela rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), prometeu que apenas o presidente eleito em outubro poderá fazer a nova indicação e marcou a sessão para derrubada do veto presidencial ao projeto de lei que reduz a pena dos condenados pelos atos golpistas.

Em troca, obteve apoio da oposição para enterrar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Master. Já Flávio capitalizou as vitórias e afirmou que o governo Lula havia acabado.

Bolsonaristas ouvidos pela reportagem negam qualquer acordo com Alcolumbre para viabilizar os reveses a Lula e dizem não haver dívidas a serem pagas ao senador futuramente. Pelo contrário, a avaliação é a de que ele teria travado as principais bandeiras da direita, como o impeachment de ministros do STF e a anistia total aos golpistas, e que os acenos mais recentes devem ser calibrados com isso em mente.

"Ele erra nessa parte de sentar em cima de processos de impeachment de ministros do Supremo. [?] A consequência prática é essa que vemos hoje, um desequilíbrio entre os Poderes. O Davi, não é que ele virou um herói, mas acho que ontem ele teve um dia em que Deus deu sabedoria a ele de ajudar a começar a resgatar a credibilidade do Congresso Nacional", afirmou Flávio após a derrubada do veto.

Embora neguem um acordo, bolsonaristas admitem reservadamente que há entendimentos comuns com Alcolumbre, como o de que o Senado não deve votar neste ano qualquer outra indicação ao STF - algo que favorece Flávio caso ele seja eleito em outubro.

Alcolumbre afirmou a senadores próximos que pretendeu, de fato, construir com Flávio uma ponte, mas que seus gestos à oposição não significam que ele tenha escolhido um lado de forma definitiva. Ele também mantém aberto o canal com o governo e o PT para se reeleger e pediu a interlocutores do presidente que marquem uma reunião com Lula para "passar a régua" no episódio.

Para os senadores, definir a relação de Alcolumbre com a oposição ou com o governo ainda depende de como o presidente vai conduzir pautas prioritárias do Planalto: o fim da escala 6x1, que precisa passar antes pela Câmara, e a PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança, engavetada por ele.

Nos bastidores, parlamentares da direita afirmam que os gestos são insuficientes para uma adesão à reeleição de Alcolumbre. A reportagem consultou dez congressistas influentes da oposição, e apenas um disse que as recentes derrotas do governo patrocinadas por ele abrem caminho para apoiá-lo em 2027.

Os outros nove disseram que Alcolumbre não é confiável e que poderia traí-los, assim como fez com o governo. Por isso, afirmam que não trocariam um nome alinhado à direita, como Marinho ou Tereza, pela reeleição do chefe da Casa.

Eles ressaltaram, no entanto, que é cedo para fazer prognósticos e que o cenário só ficará claro depois do resultado da eleição de outubro, em que 54 das 81 cadeiras estarão em jogo no Senado.

Com o discurso alavancado pela defesa do impeachment de ministros do STF, a direita calcula que pode eleger até 35 senadores para as 54 vagas em disputa. Somados aos 10 com mandato até 2031, ultrapassariam a maioria de 41. Número suficiente para comandar a Casa, mas menor do que o necessário para afastar um ministro da Suprema Corte, o que exige o voto favorável de 49 senadores.

Essa conta, assim como a expectativa de poder sobre Flávio, foi levada em consideração por Alcolumbre para fazer valer no Congresso a sua agenda e não a do Palácio do Planalto, segundo parlamentares.

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Aliados dele dizem que as chances de se reeleger presidente são maiores caso Lula vença, mas que é possível construir uma candidatura forte mesmo se Flávio for eleito, já que o futuro presidente terá que negociar com ele o Orçamento de 2027 e as pautas de uma administração de transição.

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