O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) voltou a tensionar o embate com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ao reagir, nesta segunda-feira (20/4), à notícia-crime apresentada por Gilmar Mendes. Em publicação nas redes sociais, Zema repostou o vídeo que motivou a ação e afirmou que a reação da Corte demonstra incômodo com o conteúdo.
“Se um teatro de fantoches é visto como ameaça por Gilmar e Moraes é sinal de que a carapuça serviu”, escreveu, em referência também ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news.
O ex-governador mencionou ainda a série de vídeos intitulada “Os intocáveis”, utilizada para criticar integrantes do STF, e questionou a iniciativa de judicialização do caso. “Os ministros não gostaram da nossa série ‘Os intocáveis’. Beleza. Mas me processar por isso?”, questionou.
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Na sequência, Zema defendeu o uso do humor como instrumento de crítica ao poder público. “O humor é usado pra criticar o poder desde que o mundo é mundo”, declarou.
Entenda o embate
O ministro Gilmar Mendes encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra Zema, pedindo a inclusão do ex-governador mineiro no inquérito das fake news. Moraes, que é relator do inquérito, enviou a manifestação à Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda não se pronunciou sobre o caso.
O pedido do ministro ocorreu após a divulgação, no mês passado, de um vídeo nas redes sociais de Zema. Na gravação, um boneco de fantoche que imita Gilmar Mendes dialoga com outro que representa Dias Toffoli.
No conteúdo, o personagem atribuído a Dias Toffoli solicita a suspensão da quebra de seus sigilos, determinada pela CPI do Crime Organizado, e o personagem que simula Gilmar Mendes atende ao pedido. Em seguida, o boneco pede em troca uma "cortesia" em um resort. A fala em questão se refere ao resort Tayayá, que era de Dias Toffoli e foi comprado por um fundo ligado a Daniel Vorcaro.
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Ministro Gilmar Mendes enviou pedido de notícia-crime a Alexandre de Moraes e pediu a inclusão de Romeu Zema no inquérito das fake news
Na notícia-crime, Gilmar Mendes afirma que o conteúdo “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”. O ministro afirma ainda que o vídeo utiliza “sofisticada edição profissional e avançados mecanismos de deep fake” para simular vozes dos integrantes da Corte em um diálogo inexistente, com o que classifica como objetivo de atingir a integridade institucional do STF e promover o autor da publicação.
"Valendo-se de sofisticada edição profissional e de avançados mecanismos de 'deep fake', o vídeo emula vozes de ministros da Suprema Corte para travar diálogo que, além de inexistente, tem como claro intuito vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal", diz o ministro.
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O magistrado também destaca o alcance da publicação, mencionando que o perfil de Zema reúne mais de 2,3 milhões de seguidores no Instagram e cerca de 570 mil na plataforma X, além da repercussão em veículos de imprensa.
