O deputado federal e ex-secretário especial da Cultura do governo Jair Bolsonaro (PL), Mario Frias (PL-SP), saiu em defesa do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) após o embate nas redes sociais com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A manifestação foi publicada no último sábado (4/4), na plataforma X (antigo Twitter), e compartilhada por Eduardo na manhã desta segunda-feira (6/4).
Na publicação, Frias afirmou que as críticas feitas por Eduardo não são “picuinhas” e defendeu que o ex-parlamentar estaria apenas tornando públicas discussões recorrentes dentro do próprio grupo político. “Eduardo está expondo apenas o que todos nós já falamos e sabemos no privado. Nada mais”, escreveu.
O deputado também acusou Nikolas de atuar estrategicamente nas redes sociais ao interagir com conteúdos que, segundo ele, beneficiariam adversários do bolsonarismo. Frias alegou que esse tipo de engajamento ampliaria o alcance de perfis críticos ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Quando Nikolas faz isso, ele pega seu imenso engajamento e ‘empresta’ a essa pessoa que está pregando voto nulo ou difamando a família Bolsonaro em outras postagens. É tão eficiente quanto fazer patrocínio pago”, afirmou.
Para Frias, o comportamento não seria aleatório, mas uma estratégia consciente. “Nikolas pode ser muita coisa, mas não é burro. Sabe muito bem como funciona as redes sociais e sabe qual a consequência dele interagir com os adversários do bolsonarismo”, completou.
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Entenda o embate
A troca de farpas entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira teve início após o filho “03” do ex-presidente criticar o perfil “Space Liberdade”, influente entre usuários de direita no X, depois que o responsável pela página afirmou que não votaria no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno das eleições presidenciais.
No mesmo dia, Nikolas compartilhou uma publicação do perfil, o que foi interpretado por Eduardo como um sinal de alinhamento. “Esta é só mais uma das várias coincidências do pessoal que pede ‘união da direita’”, escreveu o ex-deputado.
O conteúdo republicado pelo parlamentar mineiro trazia uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em tom de provocação ao presidente norte-americano Donald Trump, sobre o Pix. Ao compartilhar o vídeo, Nikolas criticou Lula e atribuiu a implementação do sistema de pagamentos ao governo Bolsonaro.
A escalada do conflito ocorreu quando um usuário ironizou a reação de Eduardo e Nikolas respondeu apenas com uma risada “Kkk”, o que motivou nova investida do filho do ex-presidente.
“Risinho de deboche para mim, Nikolas?”, questinou Eduardo. Em seguida, ele acusou o deputado mineiro de desrespeito e de ter mudado após ganhar notoriedade política.
Eduardo também afirmou que Nikolas estaria “trabalhando o algoritmo” para dar visibilidade a conteúdos contrários à família Bolsonaro e sugeriu que o parlamentar mineiro estaria enfraquecendo, ainda que indiretamente, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
“Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família. Triste ver essa versão caricata de si mesmo. Não é, nem de longe, o menino que conheci, apoiei e acreditei. Os holofotes e a fama te fizeram mal, infelizmente”, disse Eduardo.
Flávio pede 'racionalidade’
Em redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, pediu “racionalidade” após o embate entre o irmão e o deputado federal Nikolas Ferreira. Sem mencionar diretamente os envolvidos, o parlamentar afirmou que disputas internas prejudicam o grupo político. "Todo mundo sai perdendo", disse.
Em vídeo, divulgado após a troca de críticas nas redes sociais, Flávio disse ser “angustiante ver lideranças do nosso lado se digladiando” e defendeu foco em um objetivo comum. “Esse é o tipo de confusão que não tem vencedor. Todo mundo sai perdendo”, afirmou.
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O senador também declarou que cada um tem seus “motivos” e “mágoas”, mas que é necessário olhar para frente. Ao final, citou um trecho bíblico ao defender a reconciliação e pediu união em torno do que chamou de resgate do país.
