Protagonismo prometido a Nikolas perde força no PL
A decisão do PL de ampliar o espaço para filiações de nomes considerados menos alinhados ao bolsonarismo evidenciou divergências internas
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A sinalização feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro de que o deputado federal Nikolas Ferreira teria papel central na definição das chapas proporcionais do PL em Minas Gerais não se concretizou e passou a gerar desconforto entre aliados do parlamentar. A decisão da direção nacional de ampliar o espaço para filiações de nomes considerados menos alinhados ao bolsonarismo evidenciou divergências internas e intensificou a disputa por protagonismo dentro do partido.
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Nikolas defendia a formação de chapas legislativas compostas majoritariamente por quadros ideologicamente próximos ao ex-presidente, em sintonia com o discurso que consolidou a base mais fiel da direita nos últimos anos. A orientação adotada pelo comando nacional, sob liderança de Valdemar Costa Neto, segue em outra direção. A estratégia tem priorizado a ampliação do arco político da legenda, com a inclusão de lideranças com trânsito em diferentes campos, inclusive no centro, na tentativa de fortalecer o desempenho eleitoral.
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Nos bastidores, o cálculo é descrito como pragmático. Dirigentes avaliam que o potencial de votos de Nikolas, o deputado federal mais votado do país em 2022, tende a funcionar como principal motor da chapa proporcional. Nesse contexto, a presença de candidatos com capilaridade regional é vista como complemento estratégico, ainda que o movimento eleve a concorrência interna por espaço.
O incômodo não se restringe ao entorno do parlamentar. Outros integrantes da bancada mineira também demonstraram preocupação com a possibilidade de redução de protagonismo diante da chegada de deputados com mandato que buscam a reeleição. Em conversas reservadas e entrevistas, Nikolas chegou a afirmar que considera a abertura excessiva um risco para a identidade ideológica do partido. Em fevereiro, admitiu inclusive a hipótese de deixar a legenda caso não tivesse influência nas decisões, indicando que a formação de uma chapa com nomes considerados desconectados poderia ser interpretada como um convite à saída.
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A tensão ganhou contornos simbólicos durante manifestação organizada por grupos de direita em 1º de março, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. A organização havia definido previamente que apenas parlamentares ligados à agenda conservadora teriam espaço de fala no palanque. Ainda assim, a deputada federal Greyce Elias discursou, apresentando-se como presidente da Frente Parlamentar Evangélica e defendendo pautas como o combate ao aborto, a proteção da liberdade religiosa e a defesa da vida.
Na sequência, o deputado federal Junio Amaral assumiu o microfone e afirmou, sem citar nomes, que alguns parlamentares deveriam pedir desculpas ao eleitorado de direita antes de ocupar espaço em atos do campo conservador. Apesar da resistência de parte da bancada mineira, a estratégia de ampliação segue em curso.
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O movimento ganhou força ontem, terça-feira (18), em Brasília, com a filiação de Greyce Elias após semanas de negociações conduzidas diretamente pela direção nacional, sem participação do diretório estadual. A reunião contou ainda com a presença do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro. No mesmo contexto, o PL também filiou o prefeito de Paracatu, Igor Santos, que deve disputar vaga na Câmara dos Deputados.