Sem Simões no palanque, Caiado aposta em voto ‘descolado’ de alianças
Presidente do PSD em Minas relativiza divisão interna, e pré-candidato sustenta que eleição presidencial independe de arranjos locais
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A ausência de um palanque unificado em Minas Gerais para a candidatura presidencial do PSD foi tratada como um dado administrável, e até esperado, por lideranças do partido durante a passagem de Ronaldo Caiado por Belo Horizonte. Coube ao presidente estadual da legenda, deputado Cássio Soares, abrir essa linha de argumentação ao reconhecer, nesta sexta-feira (24/4) em agenda no Mercado Central, o compromisso do governador Mateus Simões com seu “padrinho”, Romeu Zema (Novo), também pré-candidato ao Planalto.
Longe de tratar o quadro como um problema, Soares buscou sustentar a ideia de convivência entre estratégias distintas dentro da mesma legenda. “Essa situação está muito clara: o governador Mateus Simões tem um compromisso com o ex-governador Romeu Zema, e o Caiado sabe disso. O partido está ciente desde a filiação do Mateus ao PSD, mas nem por isso são candidaturas conflitantes”, afirmou.
Segundo ele, a presença de Caiado no estado, mesmo sem o apoio formal do governador, reforça o papel do partido no debate nacional. “O Caiado está sendo recebido em Minas por ser uma pessoa preparada para disputar a Presidência. Tenho certeza de que, se eleito, vai conduzir o país com pacificação e entrega de resultados, fugindo de debates menos relevantes”, disse. O postulante ao Planalto chegou a Belo Horizonte nessa quinta-feira (23/4) e, ainda nesta sexta, segue para Uberaba, no Triângulo Mineiro.
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A leitura do dirigente partidário encontra respaldo no próprio discurso de Caiado, que tem reiterado que a eleição presidencial segue uma lógica própria, menos dependente de arranjos estaduais do que outras disputas. Questionado sobre o impacto de não contar com Simões em seu palanque, o pré-candidato minimizou o peso da ausência e afirmou que o comportamento do eleitor tende a ser mais autônomo nesse nível de escolha.
“A eleição de presidente tem um descasamento com as demais candidaturas. O eleitor escolhe independente do palanque”, afirmou. Ele avalia esse padrão como mais evidente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde, segundo ele, o voto presidencial não necessariamente acompanha alianças locais.
Caiado usou exemplos para sustentar o argumento. Citou o próprio PSD, que, em diferentes estados, compõe com forças políticas diversas, incluindo adversários no plano nacional. “O PSD em São Paulo está com o Tarcísio, que já declarou apoio a outro candidato. Na Bahia, está com o PT. Não tem como engessar”, disse.
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Relação com Zema
Ao mesmo tempo, o pré-candidato evita tensionar a relação com Simões e Zema, mantendo um discurso de respeito e coexistência. Questionado sobre uma eventual chapa conjunta com Zema, negou ter descartado essa hipótese, mas reforçou que o momento ainda é de apresentação individual das candidaturas. “Ninguém tem essa condição de descartar quem quer que seja”, pontuou.
Na véspera, durante agenda na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), o pré-candidato já havia sinalizado que definições dessa natureza devem ficar para o período das convenções partidárias, em julho.
Provocado pela imprensa a apontar diferenças em relação a Zema, Caiado evitou comparações diretas e preferiu adotar um discurso institucional. Disse que cabe ao eleitor fazer essa distinção, a partir do desempenho de cada candidato em debates e entrevistas. “Não cabe ao candidato dizer o que ele tem de diferente. Quem define é o eleitor”, afirmou.
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Mesmo assim, delineou indiretamente o perfil que pretende projetar: alguém com experiência administrativa e capacidade de articulação entre os Poderes. “Não se aprende a governar na cadeira da Presidência”, disse, ao defender que o futuro presidente precisa conhecer o funcionamento institucional para evitar conflitos que travem a gestão. “Se você brigar, você não constrói”, resumiu.