NOVA BANDEIRA

Simões abraça PEC articulada por oficial que já ameaçou Zema

Governador de Minas anunciou apoio a PEC para garantir reajuste anual a militares, setor que acumula desgastes com a atual gestão

Publicidade
Carregando...

O governo de Minas, agora sob a liderança de Mateus Simões (PSD), pré-candidato à reeleição e herdeiro político de Romeu Zema (Novo), decidiu tirar da gaveta a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2024. A medida, que prevê o reajuste anual automático para as forças de segurança, surge como uma bandeira de paz, mas carrega em sua gênese personagens que já foram algozes da atual gestão. 

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

O padrinho da proposta, responsável pela redação de sua justificativa, é o tenente-coronel da reserva Domingos Sávio de Mendonça. O nome não é estranho aos corredores da Cidade Administrativa, já que em 2019, Mendonça ganhou notoriedade ao ter um áudio vazado com ameaças ao então governador Romeu Zema. Mais recentemente, o oficial cumpriu pena de detenção em regime aberto por ofensas a um colega de farda.

Na última terça-feira (21/4), durante a solenidade da Medalha da Inconfidência em Ouro Preto, Mendonça foi agraciado com a Medalha de Honra, o segundo nível das comendas de Tiradentes, no mesmo dia em que o governo oficializou o apoio à "sua" PEC.

Pré-candidato à reeleição, Simões tenta distensionar a relação com as forças de segurança pública, setor que acumula desgastes herdados da gestão Zema. A categoria estima uma defasagem inflacionária de quase 50%, um passivo que vem se acumulando desde o governo de Fernando Pimentel (PT) e que não foi sanado integralmente por Zema, embora essa tenha sido uma promessa de campanha logo no primeiro mandato, em 2019.

O anúncio do apoio à PEC 40 veio na esteira de um embate público com o prefeito da cidade, Ângelo Oswaldo (PV), em discurso efusivo de Simões em defesa do militarismo nas escolas. Ao discursar no evento, Oswaldo criticou o modelo de escolas cívico-militares proposto pelo Estado, defendendo uma "escola cívico-militante".

Sentindo-se afrontado e classificando a fala como "descortesia", Simões aproveitou seu discurso para “desculpar-se” com os militares presentes e anunciou o apoio à revisão anual dos salários da categoria. “Esse tema ficou parado durante muito tempo, mas, diante do ocorrido de hoje e da necessidade de reforçar o respeito às forças de segurança, é um bom gesto”, afirmou o governador.

Nikolas Ferreira como "ponte"

Dois dias depois do anúncio, nesta quarta-feira (22/4), deputado federal Nikolas Ferreira (PL) organizou um almoço com lideranças de entidades como o Sindipol e a Aspras. O encontro serviu para selar uma reunião com a Secretaria de Governo, marcada para sexta-feira (24/4), com o intuito de destravar a PEC que está adormecida na Assembleia Legislativa (ALMG) desde 2024.

A movimentação de Nikolas, no entanto, gerou ruídos dentro do próprio campo bolsonarista. Deputados classistas, como Sargento Rodrigues (PL) e Cristiano Caporezzo (PL), foram ausências notadas no encontro e demonstraram desconforto com o que poderia ser lido como uma tentativa de Nikolas de "atravessar" a pauta para ganho político. 

O deputado federal negou qualquer racha ou intenção eleitoral. “Eu simplesmente sou a ponte para conectar um com os outros. Não é para eleger um ou reeleger o outro”, declarou Nikolas, reforçando que o protagonismo deve ser das entidades.

Apesar do entusiasmo renovado, o caminho é íngreme. A proposta ainda não tem relator, precisa passar pela CCJ e por uma Comissão Especial antes de ir ao plenário. Há, ainda, a questão da constitucionalidade admitida pelo próprio Simões e reforçada por interlocutores da pauta ao Estado de Minas. 

“O texto tem algumas inconstitucionalidades para que ele possa ser ajustado aquilo que é necessário para garantir o reajuste anual das forças de segurança", pontuou na terça-feira.

Calendário eleitoral 

A estagnação da matéria se explica por uma combinação de fatores, que vão desde questionamentos sobre a constitucionalidade da proposta até entraves regimentais. A reunião prevista para sexta-feira, no entanto, deve servir para alinhar uma estratégia de retomada da pauta na Assembleia, onde a base governista é maioria.

Entre as possibilidades em discussão, conforme apurado pelo Estado de Minas, está a apresentação de um substitutivo pelo próprio governo, como forma de destravar a tramitação.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Ainda que o texto volte à pauta da Casa, ele só poderá ser sancionado após outubro. A Lei Eleitoral proíbe a concessão de vantagens remuneratórias nos 180 dias que antecedem o pleito. Como as eleições estão marcadas para 4 de outubro, qualquer avanço só poderá ser sancionado após o período eleitoral.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay