RACISMO

MG: Turistas simulam tortura em pelourinho e vereador denuncia

Cena que simula chicoteamento foi flagrada em pelourinho de Mariana, no Centro Histórico de Minas Gerais

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Vereador de Mariana (MG), cidade na região Central e integrante do circuito histórico do estado, Pedro Sousa (PV) denunciou em redes sociais uma atitude racista cometida por turistas em um monumento  da cidade, no feriado de Tiradentes.

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Um vídeo mostra um grupo de turistas na Praça Minas Gerais, em volta do famoso pelourinho da cidade, e algumas simulam um chicoteamento. “Me bate!”, diz uma mulher, que grita na sequência. As demais pessoas gravam com celulares e assistem à cena.

O pelourinho original era usado para punir e açoitar pessoas negras escravizadas e criminosos, de modo a simbolizar autoridade escravocrata, até a abolição, em 1888, quando foi demolido. O atual pelourinho foi construído em 1970, para manter vivo o patrimônio histórico da cidade.

Pedro, que também é presidente do partido em Mariana, afirmou que qualquer pessoa que nasceu na cidade já viu uma cena parecida, com turistas que “se sentem à vontade para gravar vídeos ou tirar fotos imitando pessoas pretas escravizadas no Brasil e em nossa própria cidade”.

Para o parlamentar, esse tipo de atitude, “carregada de estereótipos, dor e desrespeito”, fere a dignidade do povo preto, “sequestrado da África e, mesmo após tantas marcas da história, ainda precisa lidar com esse tipo de teatro barato”.

“É preciso lembrar que a escravidão foi um dos maiores crimes contra a humanidade, e que Mariana foi construída com o sangue de pessoas negras”, argumentou Sousa nas redes sociais.

Pedro ainda afirmou que os turistas que tratam esse sofrimento como entretenimento “ainda precisam aprender sobre a história” e que esse tipo de postura “não é bem-vinda na cidade”.

Nos comentários, seguidores do vereador reagiram com horror à atitude dos turistas. “Dor de negro é desconsiderada, se fosse algo a ver com o holocausto nem existiria”, escreveu uma pessoa.

“Revoltante! Todas achando engraçado, filmando e imitando uma cena, que carrega uma marca de dor, exclusão e violência! Não querem saber (e não é de interesse pessoal) o real significado deste Pelourinho. Nas aulas de história, são as mesmas que valorizam a “descoberta do Brasil”. A dor dos pretos, segue sendo só nossa”, escreveu outra.

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Outra pessoa sugeriu a criação de leis que proíbam a subida no pelourinho, ou até mesmo a realocação do monumento para um museu, de modo a evitar a “fetichização” da violência. Pedro Sousa foi procurado para uma conversa com a reportagem sobre o assunto e ainda não retornou. O material será atualizado assim que o contato for feito.

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