Relatório da CPI aponta indícios de tráfico humano em eventos de Vorcaro
Documento cita provas extraídas de dispositivos eletrônicos e descreve suposto recrutamento de mulheres estrangeiras para festas com autoridades
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O relatório final da CPI do Crime Organizado, apresentado nesta terça-feira (14/4), aponta indícios de exploração sexual e tráfico internacional de pessoas em eventos promovidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
O documento, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), sustenta que há evidências de que mulheres estrangeiras eram recrutadas para participar dessas festas, algumas com presença de autoridades.
De acordo com o texto, Vorcaro teria admitido, em mensagens trocadas com sua então noiva, que os eventos faziam parte de seu modelo de negócios. O relatório menciona que cerca de 300 festas teriam sido organizadas ao longo dos anos, com características semelhantes às investigadas pela comissão.
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As informações reunidas pela CPI têm como base, em parte, dados obtidos pela CPMI do INSS, que acessou o conteúdo do celular e de serviços em nuvem do banqueiro. Segundo os parlamentares, foram analisados aproximadamente 400 gigabytes de arquivos, incluindo vídeos, mensagens, documentos e imagens de passaportes de mulheres estrangeiras, inclusive europeias.
O relatório descreve que o material coletado aponta para um esquema estruturado de recrutamento, transporte e hospedagem dessas mulheres, com registros de eventos realizados tanto em Brasília quanto em Trancoso (BA). Há também menções a vídeos de teor íntimo e registros detalhados das festas privadas.
Para o relator, os elementos reunidos indicam possíveis crimes de tráfico internacional de pessoas e exploração sexual, especialmente diante das condições em que as mulheres teriam sido levadas aos eventos. O documento ressalta que o conjunto probatório ainda demanda aprofundamento por órgãos de investigação.
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Além das acusações envolvendo o banqueiro, o relatório também pede o indiciamento de autoridades, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, sob alegações de omissão ou condutas consideradas incompatíveis com suas funções. O texto ainda afirma que a CPI enfrentou limitações operacionais e barreiras institucionais ao longo das apurações.